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domingo, 10 de janeiro de 2016

Opinião "O Homem de São Petersburgo"

Autor: Ken Follett

Sinopse:
Ele tinha por missão matar… Mas acabou por mudar o rumo da História.

Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra prepara a defesa contra o Império Alemão. Ambos os oponentes precisam de se aliar à Rússia. O príncipe Orlof, sobrinho do czar Nicolau II, viaja para Londres, onde se encontra com Lorde Walden, casado com a sua tia Lydia. O anarquista russo Kschessinky segue-lhe no encalço.

Nesta intrincada trama de interesses pessoais e políticos, ninguém prevê que Lydia reconheça Kschessinky, colocando em perigo a vida da sua filha Charlotte. Estas personagens jogam com o destino da Europa na antecâmara de um dos mais devastadores conflitos de sempre.

Opinião: 
Ken Follett aproveita-se de um dos períodos de maior tensão política do século XX para criar mais uma intriga de suster a respiração.
Kschessinky, um anarquista russo, chega a Londres com a missão de assassinar o príncipe Orlof que, por sua vez, tem a missão de negociar com o governo britânico uma aliança com a Rússia. Junta-se Lorde Walden, tio por afinidade do príncipe Orlof, e temos um círculo estonteante de um jogo de gato e rato. A trama está cheia de momentos de suspense em que o assassino está ou pertíssimo de conseguir o seu objectivo ou de ser capturado. É a luta de dois grandes intelectos, muita coragem e impulsiva determinação. 
Para apimentar a política, laços distantes entre Lydia e o Kschessinky, acrescentam paixão, amor e vingança à história.
Todas as personagens têm traços bem distintivos, têm as suas próprias batalhas pessoais a travar e os seus medos. É uma das qualidades de Ken Follett, o detalhe a que se entrega na criação de cada interveniente.
É, também, um excelente condutor da narrativa, não poupando o leitor a momentos de tensão e múltiplos sobressaltos. A contextualização histórica é muito interessante e educativa neste período que costuma ficar em segundo plano, atrás da Segunda Guerra Mundial.

Um thriller emocionante, com História suficiente para nos manter entretidos e interessados.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Peregrino

Título: Peregrino
Autor: Terry Hayes
Editora: Topseller

Sinopse:
Uma corrida vertiginosa contra o tempo e um inimigo implacável.

Uma jovem mulher brutalmente assassinada num hotel barato de Manhattan.
Um pai decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita.
Os olhos de um homem roubados do seu corpo ainda vivo.
Restos humanos ardendo em fogo lento na montanha de uma cordilheira no Afeganistão.
Uma conspiração para levar a cabo um crime terrível contra a Humanidade.
E um único homem para descobrir o ponto preciso onde estas histórias se cruzam: Peregrino.

Opinião:
Graças à generosidade da editora, tivemos a oportunidade de ler "Peregrino" antes do lançamento e cá estamos para vos deixar as nossas impressões. Se não quiserem ler a opinião até ao fim, deixo-vos já o conselho de irem reservar o vosso exemplar.
A expectativa era imensa quando comecei a leitura. Há um enorme rebuliço à volta deste livro e li muitos comentários extremamente favoráveis. Por outro lado, também sentia medo de sair desapontado. Tantos títulos deste género, porque é que este deveria ser tão melhor do que os outros? Já lá vamos...
É um livro que intimada pelo tamanho, mas à medida que entramos na(s) história(s) as páginas vão voando e algumas noites de sono são sacrificadas.
A história tem imensas ramificações, como se pode ler pela sinopse, mas o autor faz um estupendo trabalho em introduzir-nos a pouco e pouco, em criar interesse e fazer crescer a emoção e a velocidade dos acontecimentos. Tudo começa com um homicídio intrigante em Nova Iorque, cometido com tanta perícia que parece impossível conhecer-se a identidade da vítima ou do assassino, e muito menos os motivos por trás de um acto tão violento. Daí, somos enviados para o passado do protagonista. Entraremos no obscuro mundo das organizações secretas americanas e das infinitas vezes negadas missões em solo estrangeiro.
Peregrino é o melhor agente da sua geração, como ficamos a saber por diversas vezes, até decidir desaparecer. E se o melhor agente decide desaparecer não será fácil encontrá-lo, mas um simples polícia encontra o caminho até ele, perseguindo obsessivamente as raras migalhas do seu rastro.
Entretanto, vamos conhecendo o verdadeiro rival, a verdadeira ameaça. Um terrorista, terrivelmente inteligente, que ameaça os Estados Unidos com uma invasão de varíola. 
É esta caça que ocupa o maior número de páginas e que culminará num crescente de emoção, dor, sofrimento, envoltos na argúcia de ambos os oponentes.
Todo o livro é muito inteligente. Há bastantes momentos de acção, mas o principal são mesmo as brilhantes deduções do protagonista, a sua capacidade de se desenrascar no desconhecido, os seus variados conhecimentos e a coragem em enfrentar o desconhecido. Apesar de tudo isto, o autor conseguiu mantê-lo com a imagem de um ser humano e não de mais um invencível "super-herói". Tem os seus medos, os seus fantasmas e admite quando erra.

Parece haver uma corrente para tentar criar todo um franchising à volta deste livro. Vem aí o filme e novos livros. Fala-se em que possa ser o novo James Bond, mas eu espero que não, porque acho esta personagem infinitamente superior! Espero que ocupe um lugar próprio, livre de comparações.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Limite

Título: Limite
Autor: Frank Schatzing
Editora: Dom Quixote

Sinopse:
Maio de 2025: o fornecimento energético da Terra parece estar assegurado, desde que os Estados Unidos começaram a extrair Hélio-3 da Lua. As tecnologias pioneiras da corporação gigante Orley Enterprises revolucionaram a aeronáutica; americanos e chineses disputam direitos de exploração numa renhida corrida espacial.
A ação transporta-nos para o meio das tumultuosas guerras mercenárias africanas, uma contenda pelo petróleo e energias alternativas, onde imperam ambições de domínio espacial - acabando depois na Lua, onde um grupo de viajantes de Orley se vê subitamente confrontado com uma ameaça mortífera.

Opinião:
Aqui está um livro intimidante. Tem um pouco mais de 1000 páginas e não faz nada por disfarçá-lo. É mesmo um pesado calhamaço! Juntei coragem para lê-lo durante uma longa viagem de comboio e ainda bem que o fiz!
A história passa-se em 2025 e tenta juntar um pouco de vários géneros. O principal será a ficção científica, mas mantendo uma base bastante credível e com excelente suporte nas possibilidades de evolução da tecnologia que se conhece atualmente. Grande parte da ação decorre na Lua e levanta questões muito interessantes sobre quem serão os "Donos da Lua". Apesar da distância, conflitos entre nações poderosas no nosso satélite poderão ter consequências dramáticas no nosso planeta. O tema principal é a busca por uma alternativa aos combustíveis fósseis, mas o que mais me fascinou foi o conceito (já conhecido e discutido) da construção de um elevador para o espaço. Parece ainda inatingível, porém parece que não estamos assim tão longe!
Este é também um bom policial. Quando não acompanhamos o grupo que está na Lua, seguimos um investigador privado a trabalhar na China. Os capítulos que seguem este detetive são menos teóricos e mais acelerados. Há investigação, perseguições, assassínios, pedofilia... 
Junta-se ainda a sempre presente questão política, o jogo de interesses entre governos e grandes companhias e a forma como o destino do Planeta está em meia dúzia de mãos pouco escrupulosas.
O autor consegue manter o nível da escrita, quer seja a descrever tremendas cenas de acção, quer seja na disposição de factos científicos e históricos.

É uma obra bastante completa, que ensina, faz sonhar com o futuro e prende o leitor mantendo suspense por todo o livro. Acredito que seja difícil ganhar coragem de lhe pegar, mas acho que quem começar a leitura não descansará (literalmente) até chegar ao final.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Conspiração 365 - Novembro

Título: Conspiração 365 - Novembro
Autora: Gabrielle Lord
Editora: Contraponto

Sinopse:
A data-limite de 31 de Dezembro aproxima-se a passos largos, e os inimigos de Cal acercam-se de todos os lados. Até o famoso Corta-Dedos Durham emerge do submundo para se juntar à caçada. Com tantas questões prestes a serem resolvidas - conhecer Eric Blair, descobrir a verdade sobre o rapto dos gémeos -, é crucial que Cal se esquive do perigo e se mantenha vivo. Mas será que vai estar tão preocupado em proteger-se que não vai conseguir salvar um amigo? 

Opinião:
 Não pára. A um ritmo tão louco começamos já a sentir como normalidade a corrida em vez da passada, o medo em vez da tranquilidade. E sempre que há algum momento mais calmo, até quem lê tem todos os sentidos em alerta, procurando indícios de perigo a cada nova palavra. 
Desde que iniciei a minha jornada com Cal Ormond, cada novo livro traz-me a um nível crescente de ansiedade e suspense, suspeitando de tudo o que mexe e rodeia este herói. Em Novembro, com o aproximar a passos largos do seu tempo limite, torna-se difícil não temer por Cal, por quem qualquer fã da série sente uma certa responsabilidade. Surgem novas informações sobre a sua infância e também novas suspeitas que rodeiam os elementos mais próximos da sua família. Mas sempre presente está uma força de vontade férrea como a que só os adolescentes possuem. 
Não há muito mais a acrescentar sem estragar com spoilers esta opinião. Resta-me apenas dizer que, em fase final destas leitura, antecipo já com alguma pena a leitura do último volume...

Mais uma livro cheio de ação e perigo!

domingo, 5 de julho de 2015

O Cão dos Baskervilles - Biblioteca RTP

Título: O Cão dos Baskervilles - Biblioteca RTP
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Editora: Editorial Pública

Sinopse:
Os maiores escritores de sempre, ilustrados pelos melhores artistas modernos! 
Iniciativa editorial conjunta da Radiotelevisão Portuguesa e Editorial Pública no âmbito do Ano Internacional da Juventude.

Opinião:
De alguma forma este volume de 1985 conseguiu chegar às nossas mãos. Em época de escasso tempo para leituras, quando se prevê um buraquinho, tudo o que de leve e rápido vier é mão é contemplado. Foi assim que este exemplar de "O Cão dos Baskervilles" em BD teve o seu tempo de glória.
Foi também assim que tomei conhecimento da existência desta iniciativa de incentivo à leitura entre a Radiotelevisão Portuguesa e a Editorial Pública, que não se pode deixar de louvar, mesmo tantos anos decorridos. Estes exemplares são agora objeto de coleção entre os fãs mais saudosos das suas leituras e podem facilmente ser encontrados entre alfarrabistas.
Sobre o livro: não estava ainda familiarizada com a história, apesar de ser um dos mais famosos casos do famoso detetive, frequentemente reeditado em quantos formatos se possa imaginar. Este formato específico condensa a prosa de uma forma intensa, de tal maneira que se torna difícil seguir a lógica que interliga os principais acontecimentos. Esta dificuldade levou-se a ler os mesmos quadradinhos uma série de vezes até encontrar algum sentido na ligação das cenas. É percetível, mas a leitura não é fluída. Sobre as ilustrações, são adequadas a uma população jovem adulta/adulta, o que apelará a fãs deste tipo de literatura.

Uma experiência diferente. Não terá sido a minha favorita, mas acredito que se torne mais agradável quando se tem um conhecimento prévio da história.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A Rapariga no Comboio

Título: A Rapariga no Comboio
Autora: Paula Hawkins
Editora: TopSeller

Sinopse:
Rachel apanha o mesmo comboio todas as manhãs. Todos os dias balança ao longo da linha, vislumbra uma extensão de casas suburbanas acolhedoras, e para no sinal que diariamente lhe permite observar o mesmo casal a tomar o pequeno-almoço no seu alpendre. Chega a ter a sensação de conhecê-los. “Jess e Jason”, é como lhes chama. A vida deles — aos seus olhos — é perfeita. Não muito diferente da vida que perdeu recentemente.
É então que vê algo perturbador. Apenas durante um minuto até o comboio voltar a andar, mas o suficiente. Já nada está como antes. Incapaz de guardar para si, Rachel vai à polícia contar o que sabe, e torna-se parte indissociável do que acontece a seguir e das vidas de todos os envolvidos. Terá ela feito mais mal do que bem?

Opinião:
"A Rapariga no Comboio" é um daqueles sucessos inesperados e estrondosos que acabam sempre por marcar o ano literário e que podem resultar no lançamento meteórico de uma carreira. Com lançamento em Portugal para breve, é com grande orgulho que nos associámos à editora para vos trazer a nossa opinião um pouco antes de vos chegar às mãos.
A história começa com o entrecruzar inofensivo de três vidas: a de Rachel, que apanha sempre o mesmo comboio, e um casal que ela vê diariamente pela janela do comboio. Apesar de ser apenas observadora na fase inicial, Rachel fica de tal forma enredada na história daqueles a quem chamou "Jess e Jason" que a sua própria vida é alterada. É o perfeito exemplo da intrusão do observador na sucessão de acontecimentos que se deveria apenas limitar a observar. Por outro lado, faz-nos pensar na quantidade de vidas com que nos cruzámos diariamente, de forma inócua, aparentemente, mas que porventura terão influência na forma como lidamos com a nossa existência.
A escalada de acontecimentos transforma a história num policial exemplar, fazendo com que o leitor se interrogue incessantemente sobre quem será o culpado. A curiosidade derá lugar ao sobressalto, quando o enredo se dirige sem piedade na direção de um thriller sufocante.
A história é contada, de forma alternada, pelo ponto de vista de três mulheres distintas e notam-se pequenas alterações da narrativa, dependendo qual delas é a protagonista. Há algum desrespeito pela ordem cronológica dos acontecimentos. Este anacronismo ajuda a aumentar o suspense e a revelar progressivamente os pormenores que nos farão compreender tudo só noas últimas páginas.
Há alguns temas presentes, bem actuais, que atravessam o livro como flechas: alcoolismo, infidelidade e violência doméstica.

Além de ser um impecável thriller psicológica, "A Rapariga no Comboio" é ainda um tratado sociológico capaz de inquietar qualquer leitor.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Conspiração 365 - Outubro

Título: Conspiração 365 - Outubro
Autora: Gabrielle Lord
Editora: Contraponto

Sinopse:
Ouve-se um tiro enquanto Cal se esconde dos seus perseguidores – dois velhos caçadores de prémios e o seu cão selvagem, Sniffer. O hostil deserto parece determinado a ser o lugar de descanso de Cal. Terá Kelvin poupado a vida do jovem para nada?
De regresso à cidade, surge um desafio difícil de cumprir. Para chegar ao cofre de Oriana no Zürich Bank, Cal e Boges precisam de copiar na perfeição a impressão digital dela… e ainda roubar-lhe a senha. Será que isto a vai levar a fazer uma aliança letal com Sligo? Nesse caso, os inimigos de Cal vão duplicar o seu poder, destruindo qualquer réstia de esperança de que o jovem se salve.
O relógio não para. Cada segundo pode ser o último.

Opinião:
 Cal Ormond é já uma companhia frequente nas minhas leituras. Tenho vindo a fazer render a leitura desta série, mas eis que ela se aproxima do final a passos largos. Depois de 9 meses de pura loucura, já não é surpresa acontecerem inesperadas reviravoltas e surpresas, com variados graus de loucura e perigo associados. No entanto, torna-se mais claro que há mais por trás da simples conspiração por dinheiro com bandidos conhecidos. A cada capítulo, parece haver mais a descobrir dentro da própria casa de Cal, mesmo no seio da sua família.
Sempre fiel aos que ama, sempre cheio de energia e curiosidade, este herói é a imagem do potencial que qualquer jovem da sua idade tem. Basta que cheguem até ele os recursos necessários!

Mais um volume viciante!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Relicário

Título: Relicário
Autores: Douglas Preston e Lincoln Child
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Nas profundezas de Manhattan escondem-se túneis, esgotos e galerias esquecidas por aqueles que caminham nas ruas da cidade. E na sua escuridão jazem adormecidos segredos aterradores.
Quando dois esqueletos grotescamente deformados são encontrados na lama na costa de Manhattan, a antropologista Margo Green é chamada para auxiliar na investigação. Numa parceria com o tenente de polícia D’Agosta e o agente do FBI Pendergast, juntos tentam investigar e resolver o enigma dos homicídios.
Mas quando crimes brutais invadem a cidade e incitam a população a tomar medidas drásticas, apenas a equipa de investigadores será capaz de evitar uma catástrofe global. As pistas conduzem-nos aos subterrâneos de Manhattan, onde irão descer ao inferno e enfrentar os piores pesadelos…

Opinião:
   Demorou bem mais do que esperava a chegar-me às mãos, mas eis que chegou - Relicário assume-se como o segundo volume da série Pendergast, que faz parte das minhas preferências há muito tempo, e que completa a trama iniciada em A Relíquia.
   A leitura de A Relíquia não foi tão emocionante como esperava, o que talvez tenha motivado o tempo decorrido até à leitura deste título. No entanto, depois de terminado, devo dizer que Relicário trás consigo tudo o que se poderia esperar desta dupla de autores!
   Perseguindo a relíquia que trouxe todo o drama e morte ao Museu de História Natural de Nova Yorque, surgem uma nova horda de acontecimento envolvendo o submundo dessa cidade que é traduzida pelos autores de forma fascinante. A descoberta desta cidade sob a cidade, ainda que de forma romanceada, foi fascinante! Mais uma vez, um prato cheio de acção, intriga e perigo, em que o inesperado pode sempre acontecer, perdendo-se personagens inesperadas. O desenrolar da história torna-a viciante, sendo deliciosa esta leitura. Inesperadamente, Pendergast tem um papel modesto em contraste com o que ocorre em volumes seguintes, dando mais espaço a outras personagens, diferença que se torna bem vinda.

   Um livro que não posso deixar de recomendar. Agora, resta continuar, conhecendo mais de cada personagem!

domingo, 30 de novembro de 2014

Perdida

Título: Perdida
Autora: Mo Hayder
Editora: Publicações Europa-América

Sinopse:
Um novo caso para o inspector Jack Caffery.
Anoitece quando o inspector Jack Caffery chega para falar com a desesperada vítima de car-jacking.
O que lhe é dito deixa-o horrorizado. O automóvel foi levado à força. E no banco traseiro havia um passageiro. Uma menina de onze anos que ainda não foi encontrada. O assaltante não demora muito a entrar em contacto com a Polícia. E Caffery tem cada vez mais a certeza de que ele está a planear roubar outro automóvel. E outra criança.
Quem é o assaltante? Como é que ele escolhe as suas vítimas? E — mais importante que tudo — conseguirá Caffery encontrar a criança? Antes que seja tarde de mais…

Opinião:
Tenho alguns livros de Mo Hayder na prateleira, mas ainda não tinha tido oportunidade de ler nenhum. Apesar de "Perdida" não ser o primeiro título com a presença de Jack Caffery, foi o que me veio parar às mãos, num impulso atraído pelas frases da capa e pelo grafismo. Quando posso, tento não contrariar estes impulsos.
O inspector Jack Caffery apresentou-se-me como um homem amargurado pelo passado, competente, não propriamente brilhante, mas inteligente o suficiente para detectar uma pista e de tal forma obstinado que não lhe larga o rastro enquanto o conseguir seguir. Apesar de ter aprendido um pouco sobre o seu passado, "Perdida" deixa ficar a vontade de conhecer mais sobre o plano de fundo do Inspector.
Mas o foco está longe do protagonista. Caffery caminha nas sombras, já que os holofotes estão apontados para o espaço vazio deixado dela desaparecimento de uma menina de onze anos. O tempo é sempre curto quando se tenta evitar que um caso de rapto se transforme num caso de violação, de homicídio ou de desaparecimentos em série.
É audível o avançar dos ponteiros e palpável o desespero crescente da família e da Polícia. Mo Hayder privilegia o lado humano de cada personagem, deixa para o segundo plano o lado analítico e investigativo.
Não existe bom livro de mistério, ou thriller, sem uma boa reviravolta. Mas "Perdida" conta com várias, em crescente surpresa e agonia a roça o pânico. 

De leitura ofegante e olhos arregalados, um excelente thriller de uma autora de méritos reconhecidos.

domingo, 16 de novembro de 2014

Rebeca

Título: Rebeca
Autora: Daphne du Maurier
Editora: Círculo de Leitores

Sinopse:
Escrito em 1938, Rebeca é uma obra de fôlego, diversas vezes adaptada ao cinema. Porém, só em 1940, numa versão de Alfred Hitchcock, o filme ganharia protagonismo, chegando mesmo a vencer dois Óscares estando nomeado para nove categorias. Rebeca é um clássico onde os sentimentos adquirem um lugar de destaque. Sentimentos no feminino, já que se trata da história de duas mulheres que se envolvem com o mesmo homem, apenas com uma particularidade: Rebeca está morta. E é o fantasma, embora nunca visível, do seu passado que assombra a nova mulher, agora casada com o nobre britânico e apaixonado de Rebeca. A intriga é assombrosa e ao mesmo tempo envolvente deixando sempre a sensação de que Rebeca é omnipresente. E é com esta imagem antiga que a nova mulher do viúvo Maxim de Winter terá de enfrentar todos os que amavam Rebeca e que a encaram como alguém que veio para lhe roubar o lugar. Rebeca é o romance que celebrizou Daphne du Maurier e que conheceu 28 reedições em quatro anos só na Grã-Bretanha.

Opinião:
Não é frequente ter oportunidade de ler um livro assim. Daphne du Maurier terá alcançado fama e glória com este livro e não terá sido por mero acaso. Para além da sua escrita fina, intimista e deliciosamente adequada ao tempo que relata, a autora tem a capacidade de escrever um livro inteiro com uma personagem central inexistente. Rebeca é o coração de toda a obra e, no entanto, está já morta quando a trama se inicia e assim permanece ao longo de todo o livro. De forma fantástica, a autora mantém a primeira esposa de Maxim de Winter omnipresente.
Acompanhamos todo o livro sob a perspetiva da nova esposa de Maxim, da qual nunca conhecemos o primeiro nome. Uma jovem insegura e dedicada, quase sem personalidade distinguível, encurralada entre as recordações de Rebeca, que vai roubando a objetos que encontra e a um ou outro comentário que as várias personagens vão fazendo. A mística em torno de Rebeca nasce desta insegurança e cresce da parca informação que vai sendo disponibilizada. Com a jovem Mrs. de Winter vamos construindo a imagem de Rebeca, que surge magnanimamente, na beleza, na candura, na competência e na crueldade. Em tudo o que vai caracterizando Rebeca, ele é imensa. E é este o maior feito da autora, a sua capacidade de explorar a psique dos que rodearam esta personagem, criando através dela uma presença quase tangível de alguém que não existe, mas que é a peça essencial. Tudo acontece, ou não, por Rebeca. Delicioso!

Depois de uma leitura que me deixou tão impressionada, receei a transposição da obra para o grande ecrã. Nas mãos de Alfred Hitchcock, Rebeca ganhou o Oscar de melhor filme em 1940.
Não se trata de uma reprodução fiel do livro, o que já seria de esperar. No entanto, as adaptações feitas foram bem conseguidas, não tendo subtraído qualquer importância à obra escrita. Um ou outro pormenor poderiam ter sido mais explorados. No entanto, considerando o crescendo necessário para obter uma determinada reação no grande ecrã, sempre atendendo a restrições de tempo, creio tratar-se de um sucesso. As representações de Joan Fontaine, Judith Anderson e George Sanders foram fabulosas, conseguindo que permeasse através da tela a essência de cada uma das suas personagens.

Uma deliciosa inauguração para o nosso OSCARs Project! A não perder, livro e filme!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Vingança de Sangue

Autor: Wilbur Smith
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Vingança de Sangue é a sequela de A Lei do Deserto, obra também publicada pela Presença nesta coleção. Neste segundo volume reconhecemos de imediato a mesma intensidade dramática e o suspense levados a níveis capazes de desafiar o leitor mais intrépido. Aqui, Hector Cross tem encontro marcado com o inimigo, e fica a sabê-lo da pior forma possível, quando este ataca, sedento de sangue e vingança, assassinando brutalmente Hazel Bannock, agora mulher de Hector e nos últimos meses de gravidez. Determinado a fazer justiça, Hector reúne os seus amigos mais leais e juntos viajam para o Médio Oriente. Mas Hector percebe que está a lidar com um inimigo de múltiplos rostos quando figuras sinistras do passado da família Bannock começam a emergir, envoltas em segredos hediondos que Hazel nunca teve coragem de lhe revelar.

Opinião:
Sequela de "Lei do Deserto", este livro traz-nos novamente as emoções da vida de Hector Cross e Hazel Bannock. No entanto, como podem ler na sinopse, Hazel é assassinada no início do enredo e o que resta da narrativa será uma frenética busca pela vingança e uma intensa caça ao homem.
Já no livro anterior, Wilbur Smith surpreende a meio da narrativa com um twist inesperado. A morte de Hazel nesta obra, é um tónico interessante numa relação improvável. 
Entre um livro e o outro, haverá cerca de 1200 páginas e o que impressiona é que este último serve tanto de prequela como de sequela, já que explica toda a história da família Bannock no intenso manuscrito "A Semente Envenenada". Nota-se que já desde o primeiro livro que todos os passos foram cuidadosamente preparados, planeando a acção neste novo título.
O autor não se poupa a descrições detalhadas dos actos mais brutais, mantendo a mesma acutilância de "Lei do Deserto", e parece ter um domínio considerável da tecnologia actual no que toca a armamento militar e espionagem. Se tivermos em consideração que Wilbur Smith já vai no seu 50º ano de carreira (!), é impressionante a forma como se mantém atualizado.

Um livro frenético que desce ao que pode haver de mais negro num ser humano.
Para mais informações sobre "Vingança de Sangue", clique aqui!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Lei do Deserto

Título: A Lei do Deserto
Autor: Wilbur Smith
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Hazel Bannock é proprietária de uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, a Bannock Oil. Durante uma viagem através do oceano Índico, o seu iate é sequestrado por piratas somalis. Nele viajava a filha de Hazel, de dezanove anos, Cayla, e o resgate que os piratas pedem para a libertarem é exorbitante. Hazel recorre ao major Hector Cross, cuja empresa foi contratada pela Bannock Oil para proteger as suas instalações e pessoal. Juntos, Hazel e Hector estão dispostos a tudo para salvar Cayla, mesmo que isso signifique fazer justiça pelas próprias mãos… 

Opinião:
"A Lei do Deserto" faz parte de um género bastante explorado actualmente e é necessário um grande autor para que um Thriller se destaque de entre todos os outros que vão surgindo. Lendo a biografia de Wilbur Smith, é impressionante a quantidade de anos de atividade que o escritor já acumula, assim como o sucesso dos múltiplos livros que tem lançado. Penso que a fórmula para este sucesso está toda neste mesmo livro.
Logo nos capítulos iniciais, nota-se uma atenção especial a vários detalhes, principalmente no que toca à criação de ambiente, seja com a descrição precisa do funcionamento da empresa de Hazel Bannock, seja com o conhecimento em primeira mão dos vários lugares do globo em que a ação se desenrola. Há um cuidado em não criar personagens superfluas já que cada uma tem um traço distintivo ajudando a imaginação do leitor. 
A criação de suspense, essencial no género, é impecável. A história pode dividir-se em duas partes essenciais e em ambas se nota um crescimento sucessivo da tensão até se atingir aquele ponto em que não conseguimos pousar o livro até descobrirmos o desfecho.
Como disse, há vários países a servir de palco para a história. Para além das diferentes condições geográficos, isto leva a que as culturas envolventes se tornem também personagens em "A Lei do Deserto". Wilbur Smith não tem medo de chocar e, assim, todos os grandes e polémicos temas da cultura muçulmana são abordados de forma próxima e chocante.
Normalmente não conto com grandes surpresas em títulos deste género, mas neste livro existe um sobressalto a meio da narrativa que deve surpreender qualquer leitor.
A única queixa prende-se com as personagens principais, já que são um pouco "perfeitas" demais, apesar das inseguranças de cada uma, faltam-lhes as falhas que as tornariam mais empáticas.

Em suma, um dos melhores thrillers que já li, não se centrando apenas na história, mas tendo uma especial atenção com as culturas envolventes. Não se poupa a descrições chocantes, mas mantém-se longe das polémicas.

Para mais informações sobre "A Lei do Deserto", clique aqui!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Perseguição

Título: Perseguição
Autora: Louisa May Alcott
Editora: Europa-América

Sinopse:
Rosamond Vivien foi criada como uma reclusa pelo avô, homem distante e cruel, numa ilha recôndita ao largo da costa inglesa. O único conhecimento que tem do mundo exterior é-lhe fornecido pelos livros que devora com um prazer insaciável. Quando Phillip Tempest — sedutor, devastadoramente atraente e quase vinte anos mais velho do que Rosamond — aparece misteriosamente numa noite de tempestade, encontra um fruto pronto a ser apanhado.
Todavia, em vez da liberdade que tanto almeja, Rosamond acaba por ser apanhada numa teia de intriga, crueldade e traição que remonta ao estranho e longínquo passado do homem a que passa a chamar seu marido. Receando ser destruída, Rosamond foge ao seu domínio, dando início a uma perseguição implacável que só poderá terminar de forma trágica. 
Retrato notável da sensualidade e coragem da sua heroína vitoriana, Perseguição é uma história obsessiva de amor, desejo e traição.
Um romance arrojado da autora de Mulherzinhas.

Opinião:
Para alguém que nunca leu Louisa May Alcott e que tem como única referência da obra desta autora a sua famosa obra "Mulherzinhas", este "Perseguição" será uma surpresa verdadeira.
Com uma acção muito rápida, a autora prende o leitor de forma surpreendente. Oferecendo a pureza da sua heroína como isco, rapidamente nos encontramos viciados, tentando perceber como uma mulher da época vitoriana consegue fugir a um homem manipulador e influente. Com fugas, encontros, enganos, truques e muito perigo, essa heroína vai sofrendo e crescendo com a perseguição de que é alvo, queimando nela os anos da sua juventude, o que só parece viciar mais o homem que a quer.
Muitas vezes inesperado, este livro poderá parecer apenas mais um na nossa realidade, mas terá sido um verdadeiro escândalo na sua época, pela forma frontal como apresenta a vontade de uma mulher à frente do poderio masculino.

Um livro que me surpreendeu e que me fez repensar a posição feminina no século XIX. Nem todas as mulheres seriam pacatas e submissas, e muitas encontrariam as formas mais imaginativas para o demonstrar. Louisa May Alcott terá sido uma delas.

sábado, 23 de novembro de 2013

O Livro do Anjo

Título: O Livro do Anjo
Autor: Alfredo Colitto
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
1313. A cidade de Veneza fervilha com os preparativos para a festa da Ascensão até que a maré alta traz à porta da Basílica de São Marcos os cadáveres de três crianças cristãs que haviam sido crucificadas. Um crime tão hediondo tem de ser expiado sem demoras. Eleazar de Worms, judeu, é acusado do homicídio e acaba por morrer na prisão. Na cela onde foi encarcerado, Eleazar deixa escrita uma misteriosa frase em latim. Porque a terá escrito com o seu próprio sangue? Qual o seu significado?

Opinião:
"O Livro do Anjo" promete uma história envolvente de suspense e intriga, numa época reconhecida pela crença no misticismo. Sendo um autor reconhecido pelas suas histórias com Mondino como personagem principal, iniciei a leitura desde livro de Colitto com altas expectativas.
Infelizmente, altas expectativas nunca resultaram bem comigo, pelo menos não no que a leituras diz respeito. A leitura começou lenta. Os primeiros capítulos não conseguiram prender a minha atenção, apesar do assassinato brutal e misterioso de 3 crianças crucificadas. Sendo um livro pequeno, a descrição acaba por ser um pouco descurada, tornando a evolução da narrativa quase telegráfica. 
À medida que vai avançando, quando atingi o 1/3 final do livro, estava, finalmente, interessado, ansiando por perceber como se resolveriam as várias vertentes criadas pelo autor.
As ideias subjacentes são fantásticas. A trama é interessante e com muito potencial para ser envolvente. No entanto, no que a descrição de personagens e cenários diz respeito, senti a escrita parca e, em algumas alturas, deficiente. Terá muito a haver com as minhas preferências enquanto leitora, mas depois de terminar o livro, fiquei com a sensação de que este me poderia ter dado um prazer imenso com mais umas 100 páginas espalhadas nas alturas certas.

Um livro que pode ser empolgante e que será muito interessante para qualquer leitor que prefira uma narrativa directa ao ponto. Talvez seja uma obra que interesse os mais jovens, quando se iniciam em temáticas mais diferenciadas mas não estão ainda preparados para livros de grandes dimensões.
Um título a considerar neste Natal!

domingo, 13 de outubro de 2013

O Ritual da Sombra

Título: O Ritual da Sombra
Autor: Eric Giacometti, Jacques Ravenne
Editora: Europa-América

Sinopse:
Um thriller cheio de suspense que introduz os leitores nos meandros da maçonaria e estabelece um paralelo histórico com as mais modernas investigações.

Roma. Um arquivista do Grande Oriente é assassinado na altura de uma festa na embaixada francesa, cumprindo um ritual que evoca a morte de Hiram, o lendário fundador da Maçonaria.
Em Jerusalém, um arqueólogo que tem na sua posse uma enigmática pedra gravada tem uma morte semelhante. O comissário Antoine Marcas, mestre mação, e a sua parceira, Jade Zewinski, são confrontados com assassinos de uma irmandade nazi, a Sociedade Thule, oponente ancestral da Maçonaria.
Sessenta anos após a queda do Terceiro Reich, os arquivos dos mações, que haviam sido roubados pelos alemães em 1940, continuam a fazer o sangue correr…
Mas que segredo intemporal estará escondido entre aquelas folhas amarelecidas?

Opinião: 
"O Ritual da Sombra" antecedeu "O Irmão de Sangue", mas eu acabei por lê-los pela ordem inversa, o que não prejudica de todo a compreensão da história. Porém, notei que a hábil criação de suspense que me tinha deliciado no outro título dos autores, não está ainda tão refinada neste livro. Nesse aspecto, senti-me um pouco desiludido. 
Por outro lado, a exploração de factos históricos para construir um enredo emocionante, continua magistral. A história da maçonaria é explorada um pouco mais a fundo, com a revelação de mais alguns factos e uma mão cheia de "segredos" (segredos esses já revelados em múltiplos livros que estudam os mações e seus rituais...). Associar qualquer tema aos Nazis é recorrente e tem sido usado de forma quase indiscriminado, mas em "O Ritual da Sombra" o ponto de ligação é a Sociedade Thule. Por certo desconhecida de todos, mas que existiu (existe) na realidade, com actividades muito similares às descritas neste livro. Em suma, uma ligação cheia de claridade entre dois temas tradicionalmente ocultos.
Confesso que o protagonista, Antoine Marcas, não me deixa uma impressão muito vincada. Já a sua parceira neste livro, Jade Zewinski, é de uma riqueza de personalidade e antecedentes capazes de ofuscarem o verdadeiro personagem principal. 
Há outros pequenos pormenores abordados no livro que muito o enriquecem, não podendo deixar de referir a "Virgem de Ferro", instrumento ancestral de tortura e assassínio que tem um papel importante no enredo.

Ainda sem a capacidade de criar suspense demonstrada em "O Irmão de Sangue", este livro mantém todas as outras características positivas: pesquisa, ritmo e emoção.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Carbono Alterado

Título: Carbono Alterado
Autor: Richard Morgan
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Denso e movimentado, Carbono Alterado é uma mistura intrigante da imageinação de William Gibson, da violência do cinema japonês, da envolvÊncia do Roman Noir e do charme de Blade Runner.
No século XXV é difícil morrer para sempre. Os humanos têm um stack cortical implantado nos corpos onde a consciência é armazenada, podendo ser feito um download para um novo corpo se necessário. E enquanto o Vaticano tenta banir essa actividade para os católicos, o secular multimilionário Laurens Bancroft contrata Takeshi Kovacs para descobrir quem assassinou o seu último corpo. A polícia diz que foi suicídio, mas Bancroft sabe que nunca se mataria. A consciência de Kovacs, cujo último corpo acabara de ter uma morte violenta a muitos anos de luz da Terra, é inserida no corpo de um polícia para investigar este estranho caso. E, para o resolver, Kovacs terá, entre outras coisas, de destruir alguns inimigos do passado e lidar com a atracção que sente por Kristin Ortega, a mulher que amava o corpo onde ele agora se encontra.
Num mundo onde a tecnologia já oferece o que a religião apenas promete, onde os interrogatórios em realidade virtual significam que se pode ser torturado até à morte e depois recomeçar de novo, e onde existe um mercado negro de corpos, Kovacs acaba de descobrir que a última bala que lhe desfez o peito é apenas o começo dos seus problemas…

Opinião:
No século XXV é possível viver para sempre! O mundo ideal? Nem por isso... Mas é um excelente início para um dos melhores thrillers futuristas (ou qualquer thriller, no geral) que já li.
Acompanhamos Takeshi Kovacs e, apenas pelo nome, podemos ver que o autor tenta misturar várias culturas neste mundo. O que não é de estranhar, já que o termo globalização atingiu um sentido bem mais abrangente com as viagens intergalácticas. Takeshi esteve condenado a alguns anos de "congelamento", o que me parece um castigo justo. Imaginem, um criminoso é condenado a 100 anos de congelador e, quando regresso, o mundo está todo do avesso e algum ricalhaço comprou-lhe o corpo. Agora está confinado a outro corpo qualquer, até de outro sexo, ou mesmo "sintético" em último caso. Quando e se voltar a casa, a esposa já tem outro corpo, outro marido, outros filhos e mais 100 anos em cima. 
Devaneios à parte, Kovacs vê-se em situações apertadas umas atrás das outras, não deixando ao leitar grande espaço para estas considerações filosóficas e psicológicas. Vão dar por vocês a pensar nas consequências das trocas de corpos, congelamentos, mortes temporárias e etc quando terminarem o livro. Há um pouco para todos os gostos, luta corpo-a-corpo, armas antigas ou futuristas, perseguições, tortura... 
Para além de todo o interesse geral do mundo criado pelo autor, o caso em si (um multimilionário com centenas de anos, que se suicida, apesar de ter clones prontos a serem reutilizados mal alguma coisa corra mal) é intrigante, no mínimo, e a solução será inesperada e fascinante.

Não admira que Takeshi tenha sido aproveitado para outros livros do autor, já que pouco mais se pode pedir a um personagem e a um Mundo futurista. Um thriller fundamental e só espero que mais se sigam nas bancas da Saída de Emergência.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

No Canto Mais Escuro

Título: No Canto mais Escuro
Autora: Elizabeth Haynes
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
No Canto mais Escuro é um thriller psicológico soberbo, a história arrepiante de Catherine Bailey, uma jovem independente e bem-sucedida, que se deixa envolver numa relação amorosa abusiva que se vai pervertendo ao ponto de colocar a sua própria vida em risco. Num jogo psicológico extremamente artificioso e doentio, Lee Brightman, um homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando Catherine. Com uma estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer o antes e o depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma mulher alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo constante. Um romance de estreia que arrebatou público e crítica e recebeu os prémios Amazon Best Book of the Year 2011 e Amazon Rising Stars 2011.

Opinião:
Antes de mais, devo dizer que quem leu este livro centrado em violência psicológica e física sobre uma mulher, pelo seu parceiro, foi "ele". Ainda assim, acho que me arrepiei o suficiente e acabei por sofrer como se estivesse nos sapatos de Catherine...
"No Canto Mais Escuro" encaixa perfeitamente na categoria de "thriller". E a dobrar! Acompanhamos duas fases da vida de Catherine, praticamente em simultâneo, alternando entre capítulos. O antes, passado na altura em que se apaixona por Lee, em que se sente uma sortuda por ser alvo da inveja das suas amigas e o depois, em que assistimos a uma transformação absoluta de uma jovem cheia de energia e a viver as loucuras que lhe são devidas, para uma mulher aterrorizada, incapaz de sair de casa sem conferir todas as divisões e verificar várias vezes se todas as janelas e portas estão bem trancadas. 
Ora, enquanto acompanhamos o passado, sabemos que as coisas vão complicar e estamos sempre ansiosamente à espera dos primeiros sinais de violência e de ciúme que culminam na destruição completa da imagem de Catherine, até perante as suas melhores amigas. Mesmo sabendo desde o início que Lee será preso, parece a certo ponto que ela está condenada a uma relação de sofrimento perpétuo.
Quando passa para o "depois", acompanhamos a batalha contra o transtorno obsessivo compulsivo que agora assombra a vida de Catherine. No entanto, ela acaba por arranjar ajuda até tudo se desmoronar quando Lee é libertado.
Em suma, momentos de tensão a cada capítulo, sem nunca sabermos quando é que a protagonista está realmente segura, ou vítima de Lee ou da sua própria cabeça. 

Mais tensão seria impossível, num livro que causará palpitações à alma mais empedernida.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Assassino 50/50

Título: O Assassino 50/50
Autor: Steve Mosby
Editora: Europa-Améica

Sinopse:
Quando começa os seus ataques, o assassino já conhece muito bem as suas vítimas. Após semanas de preparação, ele escolhe jovens casais que sujeitará a uma única noite de tortura e manipulação, testando e destruindo o amor que os unia. E ele obra-os a escolher: têm oito horas para decidir qual dos dois morrerá ao nascer do Sol... 

Opinião:
Não é fácil encontrar um thriller que traga algo diferente da receita habitual de morte, sangue, perseguição, palpitações e morte. Nada contra os enredos habituais, mas para que um livro destes se destaque tem, cada vez mais, que possuir alguma perversão original.
Assim é com estes assassino 50/50. O seu objectivo é provocar um sofrimento tal a um dos membros de um casal que se ame, ou que julgue que se ame, e obrigá-lo a renunciar ao amor, a pedir para parar em troca da morte do seu amado, através de uma tortura digna de um qualquer exército iraquiano.
Até aqui, bastante promissor. Falta o herói e o respectivo anti-herói. Como anti-herói, um antigo detective que já gozou dos seus tempos de glória até ter quebrado no funeral de um colega. O improvável herói não é detective, nem cientista forense. É apenas um psicólogo especialista em entrevistas. Seja de vítimas, testemunhas ou assassinos.
Os primeiros capítulos exploram as mortes do assassino 50/50 até se começar a investigação. E a restante acção durará apenas uma noite. Atribulada, nervosa e negra.

É realmente um dos melhores que já li, dentro do género e, para coroar, conta com um final grotesco e surpreendente.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Senhor Monstro

Título: Senhor Monstro
Autor: Dan Wells
Editora: Contraponto

Sinopse:
Em Não Sou Um Serial Killer, ficámos a conhecer John Wayne Cleaver, um rapaz bem-comportado, tímido, reservado (e obcecado com a morte, mais especificamente com homicídios), que salvou a sua cidade de um assassino ainda mais aterrador que os serial killers que estuda obsessivamente.

No entanto, como rapidamente descobre, até os demónios têm amigos, e o desaparecimento daquele que John matou atraiu outro monstro ao condado de Clayton. As suas vítimas vão aparecendo na casa mortuária onde John trabalha, e ele tenta resolver o mistério, uma vez mais. Desta vez, contudo, há uma diferença: John já provou o sabor da morte, e a parte mais escura da sua personalidade pode descontrolar-se, com consequências imprevisíveis mas muito perigosas.

Ninguém em Clayton estará seguro se John não conseguir derrotar estes dois adversários tremendos: o demónio desconhecido que tem de caçar, e o seu próprio demónio interior - a criatura sedenta de sangue a que ele chama «Senhor Monstro»…

Opinião:
"Senhor Monstro" apresenta-se como a sequela de "Não Sou um Serial Killer", um livro que me deu que pensar por uns bons dias depois de o ler (e esses são os melhores!). Neste novo volume, Dan Wells aclara o seu objetivo. John cede a alguns impulsos enquanto tenta proteger, a si e aos que o rodeiam, da parte mais negra do seu ser, um conjunto de vontades que ele apelida de "senhor Monstro". Vivendo num equilíbrio insano entre socializar sem se mostrar ameaçador ou ceder a impulsos de agressividade adolescente apimentada com fantasias demasiado violentas, a personagem destes romances torna-se muitíssimo mais interessante neste novo volume. Wells tem o cuidado de fazer brilhar a inteligência de John, sem esquecer  que este não será mais do que um miúdo, mais assustado do que qualquer um que ele ameace. A vertente fantástica mantém-se, mas desta vez já a esperava. Talvez por isso não me tenha parecido tão dissonante como no último volume. E foi através dessa vertente fantástica que o autor construiu a ponte para a sanidade mental da personagem principal que acaba o livro percebendo, finalmente, qual o seu lugar no mundo.

Um livro fantástico, cheio de desafios emocionais, que tenta o leitor a emoções díspares em relação a John. Seja qual for a emoção despertada, indiferença nunca será uma opção. Uma leitura bem diferente!

domingo, 16 de setembro de 2012

O Último Lobisomem

Autor: Glen Duncan

Sinopse:
Jacob Marlowe é um lobisomem solitário, o último da sua espécie. Há duzentos anos que vagueia pelo mundo, escravo dos seus apetites ferinos, que o condenam a devorar um humano a cada nova lua cheia. Mesmo sabendo que irá pôr fim a uma lenda com milhares de anos, Jacob pensa no suicídio. No entanto, em breve Jacob descobre uma razão muito mais forte para querer continuar a viver, quando se apaixona por Tallulah, a última lobisomem. Sangrento, brilhante e sensual, este thriller, que reúne romance e mistério, impõe-se como uma nova e poderosa versão da lenda dos lobisomens.

Opinião:
A melhor surpresa do ano...
A literatura foi tão inundada por vampiros, zombies e lobisomens, a grande maioria ínsipida e demasiado juvenil, que nos esquecemos do poderoso folclore que envolve estas criaturas. Não é por acaso que tenham surgido de tantas formas na cultura das últimas décadas. São realmente personagens riquíssimas se devidamente exploradas.
A história não é complexa: Uma associação tem caçado lobisomens até sobrar apenas Jacob Marlowe, que se sente tentado em deixar terminar a sua raça em pouco menos de um mês, colocando-se à mercê da prata inimiga. 
Um princípio simples, mas que já dá espaço para reflexões bastante humanas de alguém que apenas se sente como um monstro.
A partir daqui, Glen Duncan surpreendeu-me a cada capítulo. Deixo-vos tentar imaginar, com o máximo pormenor possível, a imagem de um lobo humanóide a devorar uma pessoa. Garanto-vos que, apesar do esforço, nas páginas deste livro encontrarão imagens bem mais vívidas. Da mesma forma, o reencontro súbito com o amor acrescenta uma dimensão inesperada à vida do "Último Lobisomem".
Ah, e o final... Brilhante!

Voltando ao início, a melhor surpresa do ano. Quero o filme e o resto da obra de Glen Duncan. O mais rápido possível.