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sábado, 12 de setembro de 2015

A Opinião do Vencedor: "Que Esperam os Macacos"

Título: Que Esperam os Macacos
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.
Que esperam os macacos é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

Opinião do Vencedor:
Este foi o primeiro livro que li de Yasmina Khadra, as expectativas estavam muito elevadas, uma vez que as várias opiniões que li sobre o autor, na sua generalidade, são unânimes em referir a excelente literatura. Devo dizer que as minhas expectativas não saíram defraudadas, se é um facto que não consegui entrosar-me imediatamente com a história, o final apoteótico do livro fez-me aconselhar a sua leitura sem reservas. Uma história crua pelos meandros do bem e do mal, que nos deixa com uma nota de esperança. Mais uma vez muito obrigado pela oportunidade.

por Hermenegildo Guerreiro

sábado, 13 de agosto de 2011

A Opinião do Vencedor: "O Clube de Cinema"

Título: O Clube de Cinema
Autor: David Gilmour
Editora: Contraponto

Sinopse:
Quando o seu filho Jesse tinha 15 anos, David Gilmour tomou uma decisão que muitos pais e educadores considerariam radical: deixou o filho desistir da escola. Esta decisão, contudo, não teve nada de simples ou fácil. Ao ver o filho debater-se com a falta de motivação e as dificuldades em estudar, concentrar-se e ter notas positivas, David Gilmour percebeu que talvez a escola não fosse o ambiente ideal de aprendizagem para o filho - e que as probabilidades de que ele não acabasse o liceu eram elevadas. Assim, permitiu que deixasse a escola; em contrapartida, exigiu que o filho adquirisse com o pai (um notável crítico de cinema) alguma forma de educação alternativa para a vida, o amor e o crescimento pessoal. A condição para o filho deixar a escola era passar três noites por semana a ver um filme com o pai - aquilo a que chamaram O Clube de Cinema. O que se segue é um percurso de aprendizagem e formação invulgar, rico e comovente. Na companhia do pai - e através de filmes que vão desde Os 400 Golpes, de François Truffaut, a Instinto Fatal, de Paul Verhoeven, de Crimes e Escapadelas, de Woody Allen, a Há Lodo no Cais, de Elia Kazan - Jesse aprende poderosas lições acerca dos valores humanos e do sentido da vida. E David aprende aquilo de que tantos pais se apercebem demasiado tarde: que cada momento passado com o filho é uma oportunidade de crescimento para ambos.

Opinião do Vencedor:
Como vencedor deste passatempo mostrei-me sempre muito interessado em ler este livro pois parecia-me uma boa reflexão sobre os caminhos do conhecimento e a forma como este se estabelece, muitas vezes, na informalidade da informação de que dispomos no dia de hoje.
O Clube de Cinema, de David Gilmour apresenta, na minha opinião, um desafio de múltiplas leituras pois não se trata de um romance fechado, com momentos destacados no tempo, mas de perceber as histórias paralelas que se estabelecem com cada um dos filmes. Acredito que ler antes de ver grande parte dos filmes seja completamente diferente de ler depois de os ver já que me pareceu imperceptível, numa única leitura, o critério de escolha dos filmes seleccionados para o clube de cinema e a sua ligação com o enredo. A história peca por ser contada num tom apressado, por vezes com uma sucessão de acontecimentos desconexos e desligados da temática dos filmes, emprestando-lhe uma certa aparência instantânea e descuidada que não me parece ter sido a intenção do narrador/autor ao relatar aqueles preciosos momentos da sua vida. 
Não obstante algumas críticas quanto ao aspecto “cinematográfico” do livro, trata-se de um relato carinhoso, de um pai cheio de amor pelo seu próprio filho que compreende a importância de olhar primeiro pelas necessidades do seu filho ainda que sejam completamente opostas às necessidades que o sistema de educação impõe aos adolescentes.

Um livro que recomendo sobretudo a pais e a verdadeiros amantes da sétima arte pois todas as referências cinematográficas contidas neste romance vão ao encontro dos marcos históricos do cinema quer quanto a aspectos de produção e realização, quer quanto a desempenhos únicos de actores que permanecerão imortais 
por André Raposo

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Opinião do Vencedor: "A Mulher que Amou o Faraó"

Título: A Mulher que Amou o Faraó
Autor: Helena Trindade Lopes
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Quando Ísis, a velha cantora de Amon, abriu a porta da sua memória à neta Tity, estava longe de imaginar que iria entrar numa emocionante viagem ao encontro de si própria e da história recente do país dos faraós, o Egipto… Amenhotep IV, no ano cinco do seu reinado, decide abandonar Waset, terminar com o culto tradicional e fundar uma nova capital numa zona inóspita e desgastada pelos ventos, na margem leste do rio Nilo. Deu-lhe o nome de Akhetaton. O lugar da primeira vez. Era nesta nova cidade que sonhava escrever uma nova página da História do Egipto. Junto da sua mulher, a tão encantadora quanto perigosa Nefertiti, cuja beleza enfeitiçava os homens, e com o apoio do seu ajudante de campo, o confidente e fiel amigo Ahmés. Mas a intriga, a desconfiança e a traição instalam-se e o sonho cedo cai por terra, graças àqueles que lhe são mais próximos. Só uma pessoa permanece ao seu lado, a jovem Ísis, a cantora de voz doce, que tudo faz em nome de um grande amor. E cuja história de paixão e coragem é digna de ser contada durante muitas e muitas gerações.
 
Opinião da Vencedora:
Como me tinha parecido à primeira vista, A Mulher que Amou o Faraó é um livro pequeno, com pouco espaço para grandes desenvolvimentos, quer a nível de história, quer a nível de personagens.
No entanto, o que Helena Trindade Lopes nos conta nesta sua obra, através dos olhos de Ísis, consegue ser bastante interessante e cativante, apesar de lhe faltar alguma experiência e quiçá qualidade enquanto escritora.
Os diálogos entre as personagens, especialmente no início do livro, são por demais forçados, algo que se torna um pouco aborrecido de observar, mas que, felizmente, melhorou ao longo da narrativa.

Inicialmente este volume parecia-se mais com uma lição de história, contada de uma forma menos aborrecida, mas que também foi evoluindo para uma bonita história de amor com alguns mistérios à mistura.

Este livro foi de leitura leve e agradável e trouxe-me alguns ensinamentos sobre a época narrada, o reinado do Faraó Akhenaton, "o Faraó herético", o primeiro da História a venerar um Deus único, o Deus Sol Aton.

A Mulher que Amou o Faraó é sem dúvida um livro interessante para aqueles que se interessam pela história do Antigo Egipto.
por Rita Verdial

domingo, 22 de maio de 2011

A Opinião do Vencedor: "A Senhora Presidente"

Título: A Senhora Presidente
Autora: Anne Holt
Editora: Contraponto

Sinopse:
Como pode alguém desaparecer de uma suíte de hotel em Oslo sem que as portas e as janelas tenham sido abertas e sem que as câmaras de segurança tenham registado qualquer movimento suspeito? Que esse alguém seja Helen Lardahl Bentley, a primeira mulher eleita presidente dos Estados Unidos da América, faz com que o acontecimento seja ainda mais inexplicável e preocupante. De imediato, começa a caça ao sequestrador e o mundo segue expectante as buscas para encontrar a presidente desaparecida. Quando Johanne Vik, uma jovem mãe, psicóloga e jurista com uma breve passagem pelo FBI, se interessa pelo caso, tem uma reacção inesperada ao saber quem chefia as investigações - e fica ainda mais perturbada quando o seu próprio marido, o investigador Adam Stubø, é chamado para trabalhar com os americanos. O que é que Johanne sabe que não pode ser divulgado? O que é que esse facto tem a ver com o sequestro? E quais são os segredos que a presidente guarda só para si? O homem que poderia dar uma resposta a estas perguntas está algures e prepara-se para o próximo passo no seu plano.

Opinião da Vencedora:
Estava com bastantes expectativas relativamente a este livro. Se calhar por isso fiquei um pouco desiludida.
Custou-me entrar na história, tem bastantes personagens e parece que todas guardam um segredo. O que me fez querer ler o livro bastante rápido para conseguir perceber todos os mistérios.
A história está bem contada, tem relatos das personagens que tentam encontrar a Presidente, como relatos dos inimigos e como estes elaboraram o seu sequestro. Penso que é uma leitura exigente porque mistura bastante política e é necessário prestar atenção para todos os pormenores.
Gostei do facto de só praticamente no fim se descobrir todos os mistérios à volta do sequestro da Senhora Presidente.
Apesar de ser uma leitura exigente é um livro empolgante.
por Paula Ferreira

domingo, 17 de abril de 2011

A Opinião do Vencedor: "As Serviçais"

Título: As Serviçais
Autora: Kathryn Stockett
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela. Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

Opinião do Vencedor:
Como talvez se adivinhe pelo facto de só o comentar meio ano depois do passatempo, este não foi um livro que me tenha despertado o interesse. Apenas concorro a passatempos se quiser realmente ler o livro, mas abri uma excepção pois pensei que seria interessante para a minha namorada. No entanto, aqui há umas semanas, quando ia escolher algo de novo para ler, dei de caras com ele e arrisquei.

A história passa-se no Mississipi dos anos 60, naquele sul que, não sendo esclavagista, era ainda extremamente racista. A história é contada por 3 das pessoas que a vivem: duas criadas negras e uma jovem branca que procura lutar contra esse racismo. Para tal, decide escrever um livro que retrate a vida das criadas, contada pelas próprias. Mesmo parecendo pouco, era algo muito arriscado, tanto para a escritora como para as criadas. E não conto mais, não vá estragar a história a alguém. Mesmo que não queiram ler o livro, vem um filme a caminho...

No final, posso dizer que foi uma leitura agradável, mas que se enquadra no grande grupo de livros que se esquecem pouco tempo depois. Apesar de ser um livro relativamente grande, lê-se facilmente. O tema é interessante, e dá um óptimo relato da vida na América sulista desses tempos. No entanto, cheguei ao fim a pensar que faltava algo. Parecia fácil demais pousar o livro no fim de um capítulo, não sentia curiosidade em saber o que se passava a seguir. Mesmo depois de conhecer todas as personagens, não conseguia visualizá-las como pessoas reais, nem sentir empatia ou desprezo por nenhuma delas.

Isto não quer dizer que não o recomende. Acredito que muita gente vá adorar o livro, e se vá identificar com uma ou mais personagens. Acho que acertei quando concorri a pensar que a minha namorada iria gostar, por exemplo. Mas se, como eu, lerem a sinopse e não se sentirem muito interessados, talvez seja preferível deixá-lo na estante para outra pessoa o ler.
por Eurico Matos

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Opinião do Vencedor: "O Meu Nome é Victoria"

Título: O Meu Nome é Victoria
Autora: Victoria Donda
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Um testemunho único sobre o destino das crianças desaparecidas na Argentina durante os anos de chumbo da ditadura militar. Durante o período negro da ditadura argentina (1976-1983), os militares torturaram e assassinaram dezenas de milhares de pessoas. Nas prisões, centenas de bebés foram roubados às mães e entregues a simpatizantes do regime. Aos 27 anos, Victoria descobre que é uma dessas crianças. Na altura, dá ainda pelo nome de Analía e desconhece por completo a história trágica do seu nascimento. Não sabe que o seu próprio tio - torcionário e dirigente de um dos mais importantes centros clandestinos de detenção de Buenos Aires - teve mão activa no sequestro e assassínio dos seus pais, entregando-a de seguida, sob um nome falso, a uma família de militares. Prosseguindo a luta política dos pais, recupera o seu verdadeiro nome e faz-se eleger deputada em 2007.

Opinião da Vencedora:
 "O meu nome é Victoria" é, acima de tudo, um testemunho de vida, mas também de morte.
Victoria Donda viveu como Analia, filha de um ex-militar até aos 27 anos, quando descobriu que a familia que considerava sua, afinal, tinha-se apropriado de si enquanto bébé.
Victoria relata-nos o percurso que fez para descobrir quem era, transportando-nos para a época da ditadura Argentina (1976-1983), e de todas as atrocidades cometidas nesta época.
Assim este livro é também um documento histórico, que não quer deixar morrer a memória colectiva de um povo.
O livro não é uma grande obra literária, concerteza que não era essa a intenção da autora. É um relato simples e objectivo que interliga a vida e os ideais dos pais de Victoria, com os seus próprios ideais.
Apesar de ter um conhecimento superficial da história da Argentina e da existência e luta das Avós da Praça de Maio, foi através deste livro que percebi o grau de atrocidades que foram cometidas e a necessidade destas Mulheres de continuarem a procurar os seus familiares.
por Ana Ferreira

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Opinião do Vencedor: "Comer Animais"

Título: Comer Animais
Autor: Jonathan Safran Foer
Editora: Bertrand

Sinopse:
À semelhança de muitos jovens, Jonathan Safran Foer passou grande parte da sua adolescência e dos anos de universidade alternando entre o ser um carnívoro entusiasta e um vegetariano ocasional. Quando se tornou marido de alguém, e depois pai, as dimensões morais da alimentação tornaram-se cada vez mais importantes para ele.
Encarando a perspectiva de ter de explicar por que razão comemos uns animais e não outros, Foer dispôs-se a explorar as origens de muitas tradições alimentares e as ficções que ajudaram a criá-las.
Viajando para os recantos mais escuros dos nossos hábitos alimentares, Foer levanta a questão silenciosa que está por trás de cada peixe que comemos, de cada frango que fritamos e de cada hambúrguer que grelhamos. Em parte memórias e em parte relatório de investigação, Comer Animais é um livro que, nas palavras do Los Angeles Times, senta Jonathan Safran Foer «à mesa com os nossos melhores filósofos».
Ao contrário da maioria dos outros livros sobre o assunto, Comer Animais também explora as possibilidades para aqueles que comem carne, para que o façam com mais responsabilidade, fazendo deste um livro importante não apenas para vegetarianos, mas para qualquer pessoa que esteja preocupada com as ramificações e o significado do seu estilo de vida.

Opinião da Vencedora:
Este livro era o que esperava sem ser o que esperei... Mostra o lado cruel do ser humano (aquilo que já sabemos) mas, conta situações específicas e alerta-nos para uma situação que todos sabemos existir mas, que não ligamos...
Sendo estudante de medicina veterinária e, sendo uma grande apologista dos direitos dos animais, este livro teve algum efeito em mim no sentido de tentar fazer aquilo que ja tentava mas agora tentarei com mais afinco, evitar comer carne de proveniência industrial, que é o principal conselho que o autor nos dá.
É um livro de leitura fácil, que quase parece uma conversa de confidências entre o autor e o leitor. Jonathan Safran Foer revela-nos o que acontece na industria pecuária e em matadouros de um modo que nos deixa pouco à vontade, o que revela uma grande coragem por parte do autor.
Não é uma história de embalar, são histórias de alertar principalmente para o futuro, que em muitos aspectos se avizinha perturbador, sendo a industria da pecuária animal mais um desses aspectos...
Aconselho a qualquer pessoa que tenha presente pelo menos que os animais não são menos que nós, que sentem tanto como nós, que são inteligentes e que merecem o nosso respeito.
A quem não pense assim, de certeza que a leitura deste livro não o deixa indiferente em relação à natureza dos animais.
Dou os parabéns ao autor pela sua coragem e dedicação em mostrar ao mundo aquilo que ou não conseguimos ver ou fingimos não ver.
por Sofia Carmo

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Opinião do Vencedor: "Doces Tormentas

Título: Doces Tormentas
Autor: Rui Vilhena
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Paulo é casado com Sílvia, que é amante de Carlos, que é marido de Marta, que tem um caso com Ricardo, que vive com Henrique, que está a sair com Paulo. Confuso? As grandes histórias de amor são assim: complicadas. O autor Rui Vilhena, guionista das novelas mais vistas da televisão portuguesa, traz-nos uma comédia romântica apaixonante que nos leva aos meandros do misterioso mundo das relações e dos afectos, onde o tempo pode ser o maior inimigo do amor, mas, por ironia, é também capaz de despertar uma paixão adormecida. Porque nada é o que aparenta, porque nada pode ser tomado como certo, porque no que toca aos sentimentos as surpresas estão em cada esquina, prepare-se para um romance surpreendente e divertido. Uma coisa é certa quando estes três casais amigos se sentaram à mesa do pequeno-almoço, estavam longe de imaginar que aquele não teria um final doce. E que, na ementa, entre doce de laranja e croissants, não faltava uma tentadora mousse de chocolate.

Opinião da Vencedora:
Realmente não pensei que o livro fosse grande coisa, só de ler a sinopse fica-se um pouco confuso, mas ao ler o livro a confusão dissipa-se.
É muito divertido e cheio de humor, com grandes confusões e trapalhadas no fim é que todas as trapalhadas vêem a lume.
Lê-se rapidamente e é muito divertido.

Obrigada à Esfera dos Livros e ao blog Páginas Desfolhadas que me deram a possibilidade de o ganhar num passatempo.
por Angelina Violante

domingo, 13 de março de 2011

A Opinião do Vencedor: "Longe do meu Coração"

Título: Longe do Meu Coração
Autor: Júlio Magalhães
Editora: Esfera dos Livros

Sinopse:
Joaquim não queria acreditar no que os seus olhos viam. Tinha saído a salto de Portugal, viajado apertado em camionetas de gado, andado quilómetros e quilómetros a pé, à chuva e à neve, quase tinha perdido a vida nos Pirenéus e agora estava ali. Na capital portuguesa em França. O sítio onde, todos lhe garantiam, podia enriquecer e concretizar os seus sonhos. Mas o que via era um bairro de lata. Sentia os pés enterrarem-se na lama. Olhava para as barracas miseráveis e para os fardos de palha que faziam as vezes de uma cama. Mas, Joaquim não estava disposto a baixar os braços. Em Longe do meu Coração retrata com mestria e realismo, o quotidiano dos portugueses que partiram em busca de uma vida melhor, sonhando um dia regressar ricos à terra que os viu partir pobres. Para Joaquim, Portugal estava longe. Era ali, em França, na terra que lhe dava de comer, que queria vingar, que prometia, à força do seu trabalho, derrubar fronteiras e preconceitos. O plano estava traçado. Iria abrir uma empresa de construção, com o seu amigo Albano, enriquecer e, depois de ter casa montada com carro com emblema no capô, estacionado à porta, iria pedir a mão da sua Françoise, a professora de Francês que lhe abriu o mundo das letras e do amor. Mas, cedo Joaquim vai descobrir que há barreiras difíceis de ultrapassar.

Opinião da Vencedora:
Digo em verdade que estava muito curiosa para conhecer a escrita do Júlio Magalhães. Até então não tinha lido nada dele, como grande fã de José Rodrigues dos Santos, acabei por ver este livro com alguma curiosidade... Curiosidade porque achava que iria ser uma leitura muito simples, muito despreocupada e acima de tudo sem grande valor, mas enganei-me.
É sim um livro com uma escrita muito simples, mas bastante cativante. Um livro que eu diria "soft", com sentimentos bem vincados que passam com uma suavidade para o leitor.
Uma agradável surpresa sem dúvida!
Um belo romance que nos mostra como se vivia na década de 60 em Portugal e como se poderia de alguma forma ter sucesso na vida. A história de um português que tenta a sua sorte em França e todo o seu trajecto desde o dia que resolve ir até ao dia que regressa ao seu país, envolve-nos com a personagem e com os seus sentimentos.
Gostei imenso, uma leitura que se faz em pouco tempo, mas com uma intensidade de sentimentos estonteante!
Obrigada ao Páginas Desfolhadas por me terem dado a oportunidade de conhecer a escrita de Júlio Magalhães!
por Carla Martins

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Opinião do Vencedor: "O Guardião de Livros"

Título: O Guardião de Livros
Autora: Cristina Norton
Editora: Livros d'Hoje

Sinopse:
Uma escrava muda conta um segredo guardado durante 200 anos; um escravo apaixona-se por quem não deve; uma carioca leva um português a descobrir as delícias do sexo; um cientista judeu a quem são confiados dois livros raros naufraga nas ilhas Malvinas. Estas são algumas das personagens deste romance, que nos narra a vida de Luís Joaquim dos Santos Marrocos, um bibliotecário hipocondríaco que, em 1811, atravessa o Atlântico rumo ao Brasil acompanhado por 76 caixotes cujo conteúdo era verdadeiramente precioso: no seu interior seguia a Real Biblioteca do Palácio de Ajuda, inicialmente esquecida no cais de Belém aquando da saída apressada da Corte portuguesa para o Brasil em 1808. A chegada ao Rio de Janeiro não foi fácil para Marrocos ao deparar-se com uma cidade onde nada o seduzia, - nem a comida, nem os cheiros, nem o calor - e com uma corte endividada, amante de cerimónias grandiosas e grosseira nos seus costumes diários. Mas tudo mudou quando conheceu Ana de Souza Murça. A autora descreve-nos uma vida rica em acontecimentos inesperados, onde a ironia se mistura com momentos comoventes.
Depois do sucesso de O Segredo da Bastarda Cristina Norton volta a deslumbrar-nos com o seu estilo expressivo e inovador assente numa pesquisa histórica séria. Este romance enfeitiçará e prenderá o leitor.

Opinião da Vencedora:
O romance histórico é um género que tenho vindo a apreciar cada vez mais. E a sinopse deste livro simplesmente encantou-me. O relato da viagem de um bibliotecário português que atravessa o Atlântico com os livros da Real Biblioteca até ao Brasil pareceu-me uma maravilhosa premissa. Mas a verdade é que tive dificuldade em prender-me à história precisamente até à chegada em cena de Ana de Souza Murça. Como diz a sinopse, tudo mudou a partir daí, Luís deixou de ser tão hipocondríaco e começa finalmente a sentir-se em casa, e a habituar-se a tudo o que até aí detestava no Brasil: o calor, a comida, as pessoas. Até aí (e desde que chegara ao Brasil) foi-me difícil criar empatia com Luís, excepto na sua enorme paixão pelos livros, mas a desgraça que lhes acontece fez-me simpatizar tanto com Luís como com Ana.

A autora fez um excelente trabalho de pesquisa, tendo-se baseado na correspondência de Luís com a sua família em Portugal, da qual aproveitou alguns excertos em capítulos a que chamou Crónicas da Corte e este foi o maior problema que tive com o livro. Nunca fui grande fã de História, mas gosto de romances históricos precisamente porque a História surge naturalmente nestes, como enquadramento, como contexto no qual se passa a estória que nos é contada. E isso também acontece aqui, principalmente nos capítulos de correspondência de Luís com o pai, parecendo-me normal que Luís contasse as novidades da Corte nas suas cartas e, por isso, as informações históricas aí incluídas parecem-me perfeitamente naturais. Já as referidas
Crónicas da Corte, embora sejam excertos verídicos da correspondência de Luís, retirados do contexto pareceram-me pedaços aleatórios de informação histórica sem relevância para a estória. Mas esta é uma questão meramente pessoal, que não prejudicou o resto da leitura.

Gostei muito do início, da descrição das invasões francesas e do seu impacto na vida dos portugueses, abandonados por uma Corte que se refugiou no Brasil. Também a questão da escravatura é abordada neste romance numa perspectiva que me agradou.

Em resumo, esta foi uma leitura agradável e gostei da escrita e do trabalho de pesquisa da autora.
por Ângela Guilherme ( Landslide do blogue Tantos Livros, Tão Pouco Tempo)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Opinião do Vencedor: "O Acompanhante"

Título: O Acompanhante
Autor: Jonathan Ames
Editora: Contraponto

Sinopse:
Esta é a história de Louis Ives, um jovem cavalheiro, ao jeito de um personagem de Scott Fitzgerald, que ensina Literatura Inglesa num colégio privado em Princeton. Até ao dia em que é apanhado a vestir o sutiã de uma colega (em plena sala de professores) e é despedido. Esta também é a história de Henry Harrison, um velho cavalheiro, ao jeito de um personagem de Hemingway, dramaturgo brilhante mas fracassado, viajante incansável mas falido, que ganha a vida sendo um "homem extra" (um acompanhante de velhinhas de alta sociedade) e alugando um quarto no seu diminuto apartamento em Manhattan. Quando Louis decide, pela primeira vez na vida, ser aventureiro e mudar-se para Nova Iorque, o destino fá-lo ir bater à porta de Henry. Louis descobre em Henry uma verdadeira escola de vida: este Don Quixote do Upper Esat Side ensina-lhe, entre outras coisas, que se deve começar o dia com exercício (de preferência ao som de Ethel Merman) e acabá-lo com cocktails; que não vale a pena pagar impostos; que não vale a pena pagar por um bilhete de ópera, quando se pode entrar de graça no segundo acto; e que um cavalheiro nunca fala de dinheiro e passa sempre o verão em Palm Springs. Louis descobre ainda, na cidade que nunca dorme, uma escola de vida mais variada do que alguma vez sonhou: nos bares de travestis e transexuais de Times Square, Louis atreve-se a explorar a sua atracção pelo lado mais feminino da vida.

Opinião da Vencedora:
Este livro é uma agradável surpresa.
Considero difícil criar um livro ao mesmo tempo cheio de humor e com uma história profunda. Este autor consegue-o de um modo que não via há muito tempo. As personagens são muito carismáticas e mesmo as secundárias são muito interessantes, apetecendo conhece-las um pouco mais. A personagem principal, o Louis é uma personagem muito querida e caricata, recheado de dúvidas acerca de si e do papel que ocupa no mundo. É interessante seguir o rumo dos seus pensamentos e acreditem que há muitos momentos de identificação. Afinal todos temos dúvidas nos mais variados campos e gostamos de projectar o melhor de nós mesmos. E a relação entre ele e o seu senhorio é das mais comoventes que já vi. Um livro que recomendo vivamente a quem goste de histórias humanas que sejam diferentes do tradicional romance.
por Sónia Teixeira

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Opinião do Vencedor: "Wicked Lovely - Amores Rebeldes"

Título: Wicked Lovely - Amores Rebeldes
Autora: Melissa Marr
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
REGRA # 3:
Não olhar para fadas invisíveis.
Desde que nasceu, Aislinn sempre viu fadas. Poderosas e perigosas, elas caminham ocultas entre os mortais. Aislinn tenta passar despercebida pois estes seres não gostam de ser descobertos e costumam castigar com crueldade as pessoas que detectam a sua presença. 
REGRA # 2:
Não falar com fadas invisíveis.
Agora as fadas perseguem Aislinn. O rei das fadas Keenan, aterrorizante e sedutor, tenta cativar Aislinn, fazendo perguntas que ela tem medo de responder. 
REGRA # 1:
Nunca chamar a atenção delas.
Agora é tarde demais… Keenan, o Rei do Verão anda numa busca incansável pela sua rainha há nove séculos e está determinado a converter Aislinn na sua rainha a qualquer custo.
Quando as regras secretas que sempre a tinham protegido deixam de funcionar, de repente está tudo em risco: a sua liberdade; o seu melhor amigo, Seth; a sua vida; tudo. Intrigas sobrenaturais, amores mortais, e confrontos entre reis antigos e expectativas modernas cruzam-se no enredo deste espantoso conto de fadas que Melissa Marr imaginou para o século vinte e um.

Opinião da Vencedora:
Os livros sobre fadas são normalmente olhados com desconfiança. Suponho que haja o receio de que sejam demasiado infantis. Na actual vaga de livros relacionados com o fantástico, especialmente vampiros, surge então este livro sobre fadas. 
Devo dizer que fiquei muito surpreendida pela positiva com o livro. Tem uma linguagem sólida e personagens muito cativantes. E surpreendeu-me com a naturalidade com que trata os temas actuais que estão presentes nos jovens de 17/18 anos (drogas leves, DST, etc), sem moralizar nem julgar. 
A história. A história do rei do Verão e todas as lendas estão muito bem coordenadas em todo o livro. No fim só fiquei com pena que a escritora não tivesse feito mais umas 200 páginas. Adorei a personagem do Seth (amigo íntimo da protagonista) e tanto ele como outras personagens mereciam mais desenvolvimento. =) 

Um bom livro para quem gosta do tema.
por Sónia Teixeira

sábado, 16 de outubro de 2010

A Opinião do Vencedor: "Murmúrios da Morte"

Título: Murmúrios da Morte
Autor: Simon Beckett
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
David Hunter, o antropólogo forense que protagonizou os romances A Química da Morte e Escrito nos Ossos, regressa aos Estados Unidos onde o espera um dos maiores desafios da sua carreira. Numa cabana nos bosques é encontrado um corpo cujo estado de decomposição aponta para uma morte ocorrida há pelo menos seis dias. Porém, a quantidade de sangue no local e o facto de a vítima ter os membros amarrados sugerem que esta ainda estava viva quando a cabana foi alugada, cinco dias antes. Será David capaz de decifrar o quebra-cabeças ou terá enfim encontrado um rival à altura?

Opinião da Vencedora:
Nesta história acompanhamos David Hunter, um antropólogo forense que vai ajudar a desvendar um crime com contornos misteriosos.

Esta personagem já vem de outros livros de Simon Beckett: "A Química da Morte" e "Escrito nos Ossos" e em "Murmúrios da Morte" vamos lendo passagens que nos remetem para o passado de David Hunter e ficamos curiosos para ler os livros anteriores para ficarmos a saber o que lhe aconteceu.

No entanto, estas breves referências relativas ao seu passado não interferem na compreensão da história de "Murmúrios da Morte", sendo que podem ler este livro sem terem lido anteriormente os outros. Acontece apenas que estas referências nos aguçam a curiosidade em relação aos outros livros.

Assim, neste livro vamos acompanhar a tentativa de desvendar um crime quando um corpo em elevado estado de decomposição é descoberto numa cabana. E perguntam vocês: e que tem isso de tão interessante? O interessante é que o grau de decomposição do corpo aponta para que o crime tenha sido cometido há cerca de uns 6 dias mas a grande quantidade de sangue na cabana não coincide com esta cronologia da morte. E agora pensam vocês: assim já fico curioso! Pois foi o que me aconteceu a mim. Agarrei-me ao livro. Fui acompanhando David Hunter. Conheci personagens na área forense deveras intrigantes e inteligentes.

O autor leva-nos a outros corpos, outros crimes, outros mistérios: e será que há um assassino em série? Será que ele está vários passos à frente dos criminologistas? Ao lermos parece que sim. Que efectivamente o assassino é muito esperto e consegue antecipar-se a esta equipa de investigadores, quase que brincando com eles como se fossem as peças de xadrez no seu jogo doentio.

É um livro com descrições muito detalhadas e anotações muito reais às técnicas forenses.

Um livro rico em mistério e personagens construídas de forma consistente.

E para ajudar mais à festa com um assassino que eu pelo menos nunca imaginei!

É um autor a quem prestarei mais atenção futuramente sem qualquer dúvida!
por Diana Barbosa (do blogue Refúgio dos Livros)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Opinião do Vencedor: "O Quadro"

Título: O Quadro
Autora: Nina Schuyler
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Em 1869,no Japão, uma jovem foge à prisão do seu casamento arranjado, pintando em papel de amoreira as memórias do homem que amava. Quando o marido, um oleiro talentoso e membro do governo local, prepara o envio das suas peças para a Europa, ela esconde o quadro entre os artigos a enviar. Em França, um jovem desencantado trabalha numa empresa de importações. Quando abre a caixa de madeira vinda do Japão, descobre a maravilhosa aguarela de dois amantes que se abraçam sob uma ameixieira. Rouba-o e esconde-o no seu quarto, mas acaba por ficar obcecado por ela e pelo seu significado.
Desenrolando-se nas imediações da nova capital, Tóquio, durante o período Meiji e em Paris, durante a guerra Franco-Prussiana, O Quadro é uma história, entretecida com uma fértil imaginação, que envolve quatro pessoas, cujas vidas estão fortemente ligadas por laçosmuito delicados: Ayoshi, a pintora, que anseia pelo seu amante, enquanto se dedica respeitosamente ao marido; Hayashi, o seu marido, marcado por um fogo terrível que quase o matou em criança e que tem os seus próprios desejos secretos; Jorgen, mutilado pela guerra e atormentado pelo seu amor perdido, que se refugia no trabalho na empresa parisiense; e Natália, a irmã do dono da loja, determinada a lutar pela França, que procura a ajuda de Jorgen e lhe mostra a verdadeira mensagem do quadro.
Escrito de uma forma soberba, exuberante e envolvente, O Quadro capta de uma forma intensa a agitação social do século XIX na França e no Japão e revela o efeito profundo da arte e da beleza em vidas que, de outra forma, seriam absolutamente banais.

Opinião da Vencedora:
Duas histórias separadas por “meio mundo” que têm um elemento em comum: O Quadro. Por um lado a história da pintora, passada no Japão. Um casamento sem amor e um Governo que condena o Budismo e tudo que com ele se relacione. Na França, a história de um ferido de guerra que luta como pode para ter uma oportunidade de reaver a sua perna. No seu emprego encontra um quadro que diz muito do seu passado e que muda para sempre a sua forma de pensar e sentir.

O livro fala de duas histórias em paralelo que se vão desenvolvendo de forma muito interessante. Uma narrativa que aborda vários temas como o amor, a guerra e a religião. Foi uma leitura agradável, onde gostei das diferenças mostradas entre o Ocidente e o Oriente; da descrição feita de momentos passados na guerra, em oposição aos negócios e ao dinheiro que surgem à custa dela; a opressão por parte dos governantes sobre uma religião mais que enraizada e gostei ainda da importância e significados dados a um objecto artístico, neste caso o quadro, que constituiu uma peça admirada, um reviver do passado, uma espécie de amuleto e ainda uma esperança de liberdade.

No fundo são histórias de encontros e desencontros onde um quadro dá cor, coragem e fé. Um livro que vale a pena ler…
por Ana Costa

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A Opinião do Vencedor: "Os Anões de Ann"

Título: Os Anões de Ann
Autora: Kalina Stefanova
Editora: Vogais & Companhia

Sinopse:
Eis um lindo conto de fadas moderno e para adultos. Moderno? Para adultos? Kalina Stefanova explica: «Os contos de fadas dão-nos a mão e levam-nos de volta ao âmago do nosso ser. Revelam-nos as necessidades e os sentimentos esquecidos, ao mesmo tempo que nos e ajudam a descobrir se estas «coisas» foram realmente esquecidas ou tão-só abandonadas. No caso de abandonado, insistem para que encontremos a coragem de identificar, em nome do que já fizemos, as traições ao nosso próprio ser. Revelam-nos o poder da nossa intuição, quando a razão tende a guiar-nos por caminhos errados. Os contos de fadas são como um despertar e um reafirmar do nosso ritmo interior natural - de que tanto precisamos neste tempo de pressa constante. As tecnologias evoluem a grande velocidade mas os maiores acontecimentos da vida humana ainda precisam e demoram o mesmo tempo do «era uma vez». Pelos mesmos motivos, podemos afirmar que os contos de fadas são um grito de protesto contra a superficialidade.»

Opinião da Vencedora:
   Antes de começar a ler os Anões de Ann estava com algumas expectativas, pois as críticas referiam que havia uma grande semelhança com o Principezinho, de Exupéry. Ao lê-lo, apesar de ser um livro límpido e claro posso dizer que não se aproxima sequer do tipo de conteúdo expresso na obra-prima de Exupéry, perdendo assim, na minha opinião o seu valor como livro profundo e para todas as idades.

   Contudo, foi uma leitura agradável e leve, e está interessante a metáfora dos anões para os vários aspectos da nossa personalidade. Consegue-se entender facilmente a ideia da autora, de que devemos seguir o que acreditamos e ser fiel a nós próprios. Contudo há algumas ideias no texto que seriam interessantes se tivessem sido mais aprofundadas, como a dos anões sem abrigo o u o relacionamento da personagem principal com a mãe. A narrativa não é muito linear, parecendo que algumas coisas acontecem só porque sim e o fim é demasiado em aberto.

   Acredito que é um bom livro para crianças e adolescentes, mas falta-lhe profundidade para satisfazer um público mais abrangente, no entanto acho que foi um esforço muito meritório, e a escritora poderá desenvolver várias temáticas a partir deste livro. 
por Sónia Teixeira

sábado, 29 de maio de 2010

A Opinião do Vencedor: "Sangue Oculto"

Título: Sangue Oculto
Autora: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Sookie terminou a sua relação com Bill após considerar que ele a traiu. Um dia, quando sai do trabalho para casa, depara-se com um vampiro nu e desorientado. Rapidamente ela percebe que ele não tem a mínima ideia de quem é nem para onde vai, mas Sookie sabe: ele é Eric e parece tão assustador e sexy - e morto - como no dia em que o conheceu. Mas agora como Eric está com amnésia, torna-se doce e vulnerável, e necessita da ajuda de Sookie - porque seja quem for que lhe tirou a memória, agora quer tirar-lhe a vida. A investigação de Sookie leva-a a uma batalha perigosa entre bruxas, vampiros e lobisomens. Mas pode existir um perigo ou ameaça ainda maior - ao coração de Sookie, porque estando Eric mais gentil e mais doce… é muito difícil resistir.

Opinião da Vencedora:
Quando comecei a ler notei uma melhoria significativa na escrita. Era uma escrita mais madura e não tão "ao despacha" como acontece um pouco nos outros livros, mas terminada a leitura da última página de Sangue Oculto instala-se aquele sentimento de perda; de querer mais, de querer muito mais. Charlaine Harris mantém o nível dos anteriores livros da saga não deixando os leitores desiludidos. Gostei bastante, não é algo inovador, mas refrescante no mundo vampirico que tomou conta, nos últimos tempos, da literatura.
por Maria Fernanda Dionísio

sexta-feira, 19 de março de 2010

A Opinião do Vencedor: "O Génio e a Deusa"

Título: O Génio e a Deusa
Autor: Jeffrey Meyers
Editora: Bizâncio 

Sinopse:
Aos 35 anos, Arthur Miller tinha escrito duas peças de grande êxito. Era casado e tinha dois filhos. Em Janeiro de 1951, foi a Hollywood onde enfrentaria duas crises morais: a implacável negociação de uma nova peça com a Columbia Pictures e a paixão por uma actriz e modelo ainda pouco conhecida - Marilyn Monroe. O Génio e a Deusa é o retrato de um casamento. O maior dramaturgo americano do século XX e a mais popular actriz americana complementaram-se, mas também se feriram mutuamente. Este livro explica porque casaram, porque se mantiveram juntos durante cinco anos e o que os destruiu. Marilyn, continuou, no entanto, a ser a trágica musa de Miller; e o seu carácter, ardente e atormentado, manteve-se omnipresente durante os quarenta anos que se seguiram.

Opinião da Vencedora:
   Este foi o primeiro livro biográfico que li, não é um género da minha preferência mas confesso que gostei. É um livro ideal para quem gosta de cinema porque tem imensas referências cinematográficas, fala de actores, realizadores e produtores dos tempos áureos de Hollywood e, acima de tudo, faz um retrato vivo do que eram a vida e os diferentes processos dessa esmagadora indústria.
    De início pensei que por o autor ser amigo de Arthur Miller a biografia seria tendenciosa e parcial. No entanto, todos os factos estão devidamente fundamentados e todas as fontes e bibliografia são apresentadas, embora a exposição de Marilyn seja mais completa – porque será?
    O Génio e a Deusa desmistifica por completo a imagem de Diva da sedutora Marilyn Monroe. Gostei da forma como o livro acaba por demonstrar como o público pode idolatrar e tornar um ser tão imperfeito num ícone.
   Apesar de já ter visto documentários sobre a actriz acho que este livro traz muita informação nova e aborda um lado muito psicológico tanto de Marilyn como de Miller. O autor, não se limita a narrar factos segundo uma cronologia mas faz, de forma subtil, a sua própria análise, e dá-nos elementos para nós próprios fazermos a nossa construção sobre o que foi e o que teria sido este casamento entre a Deusa e o Génio. 

   Como qualquer biografia esta só terá interesse para quem gostar das personalidades. Pessoalmente gosto da imagem icónica de Marilyn embora não a reconheça como grande actriz (e agora ainda menos) e, tendo interesse pela indústria do cinema, Miller era um nome conhecido ao qual agora posso dar forma. 
por Hagna Miranda

domingo, 14 de março de 2010

A Opinião do Vencedor: "Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo"

Título: Um Grito de Amor Desde o Centro do Mundo
Autor: Kyoichi Katayama
Editora: Alfaguara

Sinopse:
Sakutarô e Aki conhecem-se na escola. Ele é um jovem engenhoso e sarcástico. Ela é uma rapariga bonita e popular. O que de início é uma amizade cúmplice torna-se numa paixão arrebatadora. Um acontecimento trágico vem pôr à prova a força do amor que os une. Este é o romance japonês mais lido de todos os tempos no Japão, com mais de três milhões de exemplares vendidos.

Opinião da Vencedora: 
Uma simples sinopse não faz jus à obra que nos é apresentada. Num estilo literário bastante ligeiro, “Um grito de amor desde o centro do mundo” revela-se uma história doce, como deveriam ser todas as paixões adolescentes. De forma muito subtil, mas incutida, pequenos aspectos da cultura japonesa e das suas tradições sociais vão sendo demonstradas ao longo do enredo. Por outro lado, nota-se uma tentativa de não incidir de forma agressiva sobre um tema sério como as doenças terminais, concentrando-se a história numa directriz de opiniões e filosofias sobre o que é o verdadeiro amor e até onde se pode lutar por ele. É de realçar a originalidade do autor ao colocar como narrador uma personagem masculina, quebrando a barreira de que o que é sensível tem apenas de ser relatado por mulheres. É emotivo, simples e uma leitura simpática, que nos coloca um sorriso no rosto em vários momentos. No entanto, e porque é considerado um dos livros mais lidos de sempre no Japão, depreendo que parte da mágica que o caracteriza tenha ficado perdida na tradução.
por Ana Carvalho

sábado, 13 de março de 2010

A Opinião do Vencedor: "Jovens Lobos"

Título: Jovens Lobos
Autor: Simon Scarrow
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Está preparado para subir para os ombros de um gigante?
Esta é a história de dois gigantes da Europa: Wellington e Napoleão. Nos finais do século XVIII a Europa era um caldeirão de guerras e rebeliões um pouco por todo o lado. O jovem Arthur Wesley (mais tarde conhecido por Lord Wllington) e Napoleão Bonaparte crescem em mundos diferentes mas ambos numa cultura onde a carreira militar é a escolha óbvia para homens de ambição.
Enquanto Wellington tem as suas primeiras aventuras na Irlanda e em Flandres, Napoleão vê-se envolvido nos dramas da Revolução Francesa e na guerra com a Prússia, Reino Unido e Holanda. Mas nada disto é suficiente para distrair Wellington da paixão por Kitty Pakenham, nem Napoleão da loucura pela bela e sensual Josefina, pois estes homens atiram-se a todos os aspectos da vida como se estivessem num campo de batalha.
Um livro maravilhoso, simultaneamente educativo, divertido e épico!

Opinião da Vencedora:
Tinha alguma relutância quanto a ler livros relacionados com a história de períodos anteriores ao séc. XX. A densidade da lombada parecia um desafio demasiado pesado ao qual me renderia nos primeiros capítulos. Mas, ainda antes de ter tido o prazer de ganhar o livro “Jovens Lobos” de Simon Scarrow, foi-me oferecido o segundo volume desta trilogia, “Os Generais”.
Foi a porta de entrada para este género de literatura onde a aventura pura se cruza com a história, particularmente no que diz respeito à vida de dois dos maiores estrategas militares de todos os tempos.
O facto de ter começado pelo “Os Generais” não me desmotivou a ler o primeiro “Jovens Lobos”. A escrita entusiasmante do autor, com descrições detalhadas da vida preenchida e cheia das duas personagens centrais, Napoleão e o Duque de Wellington, levou-me a querer saber mais sobre estas duas personagens, razão pela qual fiquei contentíssima quando ganhei aqui no Páginas Desfolhadas o primeiro livro desta saga.

Simon Scarrow não me havia desiludido na primeira experiência literária com ele, por isso não esperava menos prazer da leitura de “Jovens Lobos”. Neste livro, Napoleão e Arthur (futuro Lord de Wellignton) são ainda crianças e acompanhamos o seu crescimento, permitindo-nos perceber quem eles foram mais tarde e porquê, sob as influências do ambiente de nascimento, a educação que lhes era imposta e os dilemas entre as suas personalidades e as pressões familiares. Guerras travadas consigo mesmos, internas e intensas, que rivalizam com as guerras que se desenrolam um pouco por toda a Europa e mais além. A única saída para a ambição de ambos os lados era uma só: a vida militar.
A par dos pormenores históricos detalhadamente descritos, o enredo paralelo da adolescência das personagens é muito bem estruturado. A leitura é sôfrega, querendo por um lado avançar pelas páginas, e por outro temendo chegar ao fim, ter de fechar o livro e depositá-lo na estante.
Agora, aguardo com ansiedade o lançamento de “A Ferro e Fogo”, último volume esta fabulosa trilogia, previsto para este ano.
por Joana Correia

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Opinião do Vencedor: "Diário de um Fumador"

Título: Diário de um Fumador
Autor: David Sedaris
Editora: Contraponto

Sinopse:
O que faz de David Sedaris o homem mais divertido do mundo? Bom, como muitos de nós, tem um quotidiano cheio de pequenas bizarrias e acontecimentos cómicos; mas, no caso dele, o bizarro torna-se cada vez mais bizarro e o cómico chega ao puro absurdo. Quer saber como é que o homem mais divertido do mundo passa os seus dias? Bom, já foi fumador, já fez um estágio numa morgue, já teve a sua casa de campo invadida por pássaros, já andou de táxi com um condutor obcecado por sexo fetichista, já ofereceu um esqueleto (verdadeiro) como presente de anos, já fez corridas de natação com uma mulher com síndrome de Down…

Depois de tudo isto, que experiência bizarra e inaudita lhe faltava enfrentar? Apenas uma; uma das experiências mais traumáticas e marcantes que alguém pode alguma vez enfrentar: deixar de fumar…

Opinião da Vencedora:
Um dos melhores livros humorísticos que já li até hoje, "O Diário de um Fumador" tira qualquer
pessoa do sério. Ideal para ler em transportes públicos ou no final da hora do almoço... Não conhecia o autor David Sedaris, mas devo confessar que entrou para o Top 20 dos meus escritores.
Obrigada Páginas Desfolhadas, por tantas páginas de riso...


por Vanda Bragança