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quinta-feira, 25 de março de 2010

Entrevista com Hugo Girão - autor de "O Silêncio dos Teus Olhos"

Filho de Fernando Girão (músico, compositor, produtor), nasce em Lisboa no dia 10 de Novembro de 1975.
Desde cedo evidencia interesse pela arte, principalmente a música, mas descobre na escrita a sua vocação.
Incitado por uma professora de teatro argentina, Valia Percik, e pela leitura de vários livros, em particular ” O Cavaleiro da Armadura Enferrujada “, de Robert Fischer, entre muitos outros, escrever o seu primeiro livro chamado “O Rei e o Homem Que Já Tinha Sido”, publicado através da Papiro Editora.
Em finais de 2007 edita com a Fronteira do Caos o livro “O Silêncio das Almas”, em co-autoria com Isabel Fontes e em Janiero de 2009, com a mesma editora, publica o seu último romance O Silêncio dos Teus Olhos”.

Hugo Girão, autor de "O Silêncio dos Teus Olhos", teve a amabilidade de responder a algumas perguntas do Páginas Desfolhadas.

Páginas Desfolhadas: Como e quando surge Hugo Girão escritor? Esteve sempre presente, ou foi uma faceta sua que o tempo lhe mostrou?
Hugo Girão: Hugo Girão surge como escritor aos onze anos, mas apenas escreve textos em prosa poética. A ideia de escrever um livro começa a tomar forma a partir de mediados de 2005. A verdadeira explosão surgiu quando li O CAVALEIRO DA ARMADURA ENFERRUJADA, de Robert Fischer. Decidi que queria escrever um livro dentro dessa linha e assim nasce O REI E O HOMEM QUE JÁ TINHA SIDO, editado em 2006 pela Papiro Editora.

PD: Sendo um escritor relativamente jovem e desconhecido do público em geral, encontrou algumas dificuldades quando pretendia publicar o seu trabalho?
HG: Não só algumas. Encontrei todas as dificuldades que um principiante tem para fazer o que quer que seja, a qualquer nível. Mas isso não deixou que desistisse e o resultado é ter publicados no mercado nacional três livros, o que me deixa muito orgulhoso.

PD: Como acha que os portugueses recebem os trabalhos de novos escritores? Acha que há diferença entre a receptividade de novas obras de escritores nacionais e estrangeiros?
HG: Um autor estrangeiro que venha catalogado como um best seller e que vendeu milhões de livros em todo o mundo, ou um escritor cujo livro esteja envolto em polémica, é natural que desvie a atenção dos leitores de um escritor que começa a dar os primeiros passos, de quem nunca se ouviu falar, cuja editora não tem possibilidades económicas para a publicidade massiva. Também temos no nosso país novos escritores que vendem muito bem, que escrevem muito bem e que entram em nossas casas através da televisão ou de outros meios de comunicação, o que lhes dá uma visibilidade acima da média. Mesmo assim acho que os portugueses escolhem um trabalho pela sua qualidade e afirmo-o com toda a certeza do mundo. Basta dar uma vista de olhos pelos blogs de literatura para ver que a escolha hoje em dia é deveras ecléctica.

PD: Têm surgido várias novas pequenas editoras em Portugal. O que acha do serviço que estas editoras prestam relativamente à divulgação de novos autores?
HG: Vou falar do que conheço. A minha editora, a FRONTEIRA DO CAOS, tem prestado um excelente serviço no sentido de dar a conhecer novos autores portugueses e ao mesmo tempo divulgar os grandes clássicos. É uma editora que faz apostas muito pessoais neste sentido. De não ser assim, da vontade expressa de dar a conhecer novos valores, tenho a certeza que neste momento não poderia ver publicados os meus livros.

PD: Travamos conhecimento com o seu trabalho através do livro "O Rei e o Homem Que Já Tinha Sido", um conto/fábula delicioso. Tivemos depois o prazer de ler "O Silêncio dos Teus Olhos", um livro mais adulto, com uma história dos nossos dias. Tem preferência por algum dos géneros?
HG: A minha vontade é escrever. Uma editora tem que catalogar as obras que publica. Eu quando escrevo tenho por meta não defraudar os leitores, mas principalmente, não defraudar-me a mim mesmo. O género para mim não importa, o que é verdadeiramente importante é o sentimento com que essas linhas são escritas. Tenho uma máxima: "A intensidade das palavras não está na sua complexidade senão na força com que nos atingem".

PD: Como descreveria a sua mais recente obra, "O Silêncio dos Teus Olhos"?
HG: Uma verdadeira homenagem à minha mulher e às mulheres importantes da minha vida, as minhas duas avós, seres portadores de uma força inacreditável que me ajudaram e que, no caso da minha mulher, me continua a ensinar a ser o homem que sou.

PD: Escreve com uma enorme emotividade e espiritualidade. É preciso sentir para se escrever assim?
HG: É preciso sentir para fazer qualquer coisa. Para viver é preciso sentir e eu tento fazê-lo durante a maior parte dos meus dias. Tenho uma fé muito grande em Deus e uma familia que apoia tudo o que faço. Esse é o grande pilar da minha vida.

PD: Será esta a sua "imagem de marca"?
HG: Creio que sim. É a minha maneira de ver e viver a vida. Não conheço outra maneira de estar na vida.

PD: Conhecemos apenas 3 títulos de Hugo Girão publicados. Para quando poderemos esperar mais? Pode levantar o véu sobre o seu novo projecto?
HG: Se tudo correr bem, este ano haverá novo livro nas livrarias e já comecei um novo romance, que ainda está numa fase embrionária.

PD: Muito agradecemos a sua colaboração!
HG: Eu é que agradeço o vosso interesse no meu trabalho e o carinho com que têm tratado a minha obra. Muita luz em vossos caminhos...sempre...assim seja.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Silêncio dos Teus Olhos

Título: O Silêncio dos Teus Olhos
Autor: Hugo Girão
Editora: Fronteira do Caos

Sinopse:
   O Silêncio dos Teus Olhos é uma homenagem às mulheres e um hino à vida. Um livro intimista e de grande intensidade, em que o autor explora com elegância e mestria, sentimentos e sensações que nos encantam, comovem e fazem pensar.

Opinião:
   Devo dizer que este livro me enfeitiçou pela capa. Um olhar apelativo acompanhado de um título promissor são a chave para que o olhar de um leitor se prenda nesta capa e não numa outra. E eis que ainda não o abri, e o livro já soma pontuação na escala da minha opinião!

   Depois de ter lido "O Rei e o Homem que Já Tinha Sido", não estranhei a intimidade explicita que caracteriza a escrita deste autor. Hugo Girão descreve, de forma intimista, a relação entre um casal, o amor que nutrem um pelo outro e os dissabores que sofrem pelos tombos que a vida lhes reservou. Bastam algumas linhas para que a emoção se instale à flor da pele enquanto a leitura nos revela quadros simples, situações do dia-a-dia, descodificadas com tal emoção que me foi difícil manter a compostura no comboio em que viajava! A lágrima instalou-se no limiar da pálpebra e foi uma luta constante para que um piscar de olhos mais tempestuoso não a fizesse rolar pela face. 
   Foi um carrossel de emoção a leitura destas singelas 100 páginas. A forma como o autor consegue transmitir sentimentos é peculiar e muito eficaz. No entanto, foi com alguma pena que vi o desenrolar da acção passar tão rapidamente, desenvolver-se e concluir-se como que de um sopro só, tal a velocidade a que as páginas se viraram! Este poderia ter sido um livro mais extenso, mais doloroso, deixando mais vincada a marca deste autor. De qualquer forma, o facto de ser um livro pequeno pode ser uma vantagem.

   Não é um livro alegre, mas será um livro marcante, que poderá levantar algumas questões e levar o leitor a reflectir sobre a bênção que pode ser uma vida a dois, sobre a vida e o que dela não esperamos, sobre as feridas que esta provoca e a forma como as curamos. Um livro delicioso pela sensações que invoca e pelas realidades que expõe.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Rei e o Homem Que Já Tinha Sido

Título: O Rei e o Homem Que Já Tinha Sido
Autor: Hugo Girão
Ilustrações: Catarina Silva
Editora: Papiro Editora

Sinopse:
"O Rei e o Homem Que Já Tinha Sido" é a primeira fábula de Hugo Girão, que narra a história do rei Telonyus que parte em busca de um "eu" que tinha adormecido dentro de si, sem que este se pudesse sar conta.

É uma história de vida, com toques de magia, que nos faz sonhar e ao mesmo tempo pensar na verdadeira essência do ser que levamos dentro de nós.

A dúvida, o medo, o desespero ou a superação pessoal são alguns dos temas abordados nesta obra de leitura fácil e amena, que nos leva através de um mundo imaginário, tão real como aquele em que vivemos.

Opinião:
O rei Telonyus, como todo o rei de sucesso, vive para guerras e demonstrações de poder. Acha-se feliz por ter tudo o que poderia ter, até ao dia em que acorda com a notícia de que a sua rainha e a sua princesa o abandonaram. Inicia, então, uma longa viagem em busca delas, que se transforma numa busca por si mesmo.

Hugo Girão revela ser um óptimo contador de histórias. Numa fábula para adultos, pinta cenários brilhantes, coloridos e fantásticos de forma simples e precisa, guiando habilmente a imaginação do leitor enquanto este acompanha Telonyus na sua procura. Como fábula bem contada, esta tem também uma lição. Não ensina a não roubar, a não mentir, a não enganar... Ensina a não esquecer... Não esquecer a pessoa que fomos, independentemente do papel que venhamos a ocupar.

Gostei muito deste pequeno livro. Adorei reviver a sensação de criança que aprende uma lição enquanto ouve, deliciada, um qualquer conto dos irmão Grimm. Durante grande parte da leitura, e pela riqueza dos cenários descritos, não pude deixar de pensar que este conto poderia ser facilmente adaptado ao grande ecrã, resultando de uma boa adaptação uma curta-metragem deliciosa. Fica a sugestão!

Um conto que aquece a alma e que deliciará todo aquele que mantiver uma criança dentro de si!