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domingo, 15 de março de 2015

Mar

Título: Mar
Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara

Sinopse:
O novo volume da Enciclopédia da História Universal, série distinguida com o Prémio de Conto Camilo Castelo Branco. Mais uma vez, Afonso Cruz volta a desafiar os géneros e escreve um volume de Enciclopédia que, afinal, é um romance em várias entradas: um conjunto de histórias interligadas entre si, todas elas sobre o MAR, o seu apelo, o seu fascínio. Histórias encantatórias a que não faltam personagens inesquecíveis, como a do homem que tem o céu tatuado na pele ou o músico que lança cartas de amor ao mar.
O último romance de Afonso Cruz, Para onde vão os guarda-chuvas, venceu o Prémio SPA - Sociedade Portuguesa de Autores, e é finalista dos Prémios APE - Associação Portuguesa de Escritores e Fernando Namora.

Opinião:
Afonso Cruz tem sido um autor recorrente cá pelo Páginas Desfolhadas e por excelentes razões. Para além de diversas opiniões, publicámos também uma entrevista com o autor
É um enorme prazer voltar às páginas de um livro de Afonso Cruz, especialmente sendo resultado de uma carinhosa prenda de Natal! "Mar" é um capítulo da Enciclopédia da Estória Universal. Numa altura em que as Enciclopédias se encontram a desaparecer rapidamente (provavelmente os mais novos nunca viram uma Enciclopédia completa, sem uma boa camada de pó a obscurecer as lombadas), esta pode representar o futuro do conhecimento impresso em volumes. Mas aqui não há só conhecimento, há pura magia com as palavras, com as ideias. O autor tem a rara capacidade de virar as palavras do avesso, de lhes encontrar significados em novos contextos, de criar ideias a rasar o inconcebível. A sua habilidade é visível nos breves trechos de pensamentos que abundam em "Mar" mas também nas histórias dignas de uma tela. A interligação entre elas é sublime, assim como a sua conexão com o Mar, presença transversal no livro, sem afogar as vidas em terra. 
As personagens que saem da sua mente são do mais original que poderemos encontrar e a existência de cada uma delas é uma Estória por si só.

É difícil arranjar palavras para resumir o que nos fica após a leitura de "Mar", mas para os que leram, perceberão quando digo que é extremamente setenta vezes sete.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Pintor Debaixo do Lava-Loiças

Título: O Pintor Debaixo do Lava-Loiças
Autor: Afonso Cruz
Editora: Caminho

Sinopse:
A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro- Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.

Opinião:
Depois de me ter deleitado com a leitura e apreciação das obras anteriores de Afonso Cruz (como podem ver pelas opiniões prévias), estava ansioso pela continuação do seu trabalho. Tive, então, a feliz oportunidade de ler "O Pintor Debaixo do Lava-Loiças".
Neste título, o autor dedica-se principalmente à escrita, apesar de também ter ilustrado algumas porções do texto com as suas ilustrações características e carregadas de significado. Da minha parte, agrada-me imenso esta dedicação à escrita, já que consegue criar com palavras imagens tão apelativas como as desenhadas.
A história que é a base do livro teu o seu lado dramático (podem ver a sinopse para ter uma noção), mas também um toque humorístico, com momentos felizes.
Sinto alguma dificuldade em expor-vos realmente o quanto apreciei todas as páginas deste livro e também me custa não ceder à tentação de preencher esta opinião com as deliciosas metáforas que nos vão guiando pela história, mas prefiro deixar-vos com vontade de aproveitar a primeira oportunidade para terem o livro em vossas mãos.

Mais um título carismático de um autor que terá certamente muito, muito mais para nos oferecer.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Enciclopédia da Estória Universal

Título: Enciclopédia da Estória Universal
Autor: Afonso Cruz
Editora: Quetzal

Sinopse:
Este é um livro de factos - e de ficções, burlas, citações - esquecidos ou ignorados pela História e encruzilhados uns nos outros em forma de labirinto. Um espaço entre mordomos coronéis, metáfora, mentiras, assassínios, deuses duplos, cabalistas fabulosos, ascetas hindus e narrativas absolutamente orientais.
 
Opinião:
Aproveitando o ambiente acolhedor da Feira do Livro de Lisboa e a simpática presença do autor, não pude deixar passar a oportunidade de comprar mais um livro de Afonso Cruz, com o devido autógrafo.
Não deixei passar muito tempo até começar a aprender Estória por ordem alfabética.
Dotado da criatividade e versatilidade patentes nos que já tive oportunidade de ler, o autor surpreendeu-me mais uma vez nesta obra curiosa.
Cada entrada da Enciclopédia tem um fim em si próprio, e sejam pequenas histórias, factos ou pensamentos, resultam sempre numa reacção do leitor, que varia entre o divertimento e o assombro. 
A colectânea de "conhecimentos" resultante é um fantástico volume de reflexões sobre origens, causas e efeitos, história e estórias, nascidas de ideias geniais. Durante a leitura, dei por mim a voltar atrás por me ter surgido uma nova interpretação de uma entrada passada. Certamente que as leituras futuras serão uma experiência distinta desta primeira.

Um livro para ler, guardar, reler e deixar na mesinha de cabeceira.

domingo, 27 de março de 2011

Livro "A Contradição Humana", de Afonso Cruz, selecionado para a exposição The White Ravens 2011

O álbum para crianças A Contradição Humana, de Afonso Cruz, publicado pela Caminho em 2010, foi selecionado para a exposição The White Ravens 2011, que a Biblioteca Internacional da Juventude (IJB) organiza anualmente no quadro da Feira do Livro Infantil de Bolonha.
 
Esta é a segunda distinção para A Contradição Humana em poucassemanas: Afonso Cruz recebeu já este ano o Prémio Autores SPA/RTP 2011 para Melhor Livro Infantil-Juvenil precisamente por este livro.
 
A exposição destes «White Ravens» («corvos brancos») — este ano foram 250 livros infantis e juvenis em 36 línguas e provenientes de 52 países, selecionados entre os milhares de livros que a biblioteca recebeu durante o ano passado — será apresentada no stand da IJB na Feira de Bolonha, que terá lugar de 28 a 31 de março. É acompanhada por um catálogo em inglês que contém informações bibliográficas e resenhas curtas dos títulos selecionados.
 
O catálogo justifica do seguinte modo a seleção de A Contradição Humana: «As reflexões de um rapaz sobre as pessoas que o rodeiam só aparentemente são ingénuas. Porque é que a sua tia prende os pássaros em gaiolas, embora afirme gostar muito deles? Porque é que o Sr. Oliveira ignora um pobre na rua, embora dê muita atenção ao trânsito? Porque é que o vizinho fica feliz quando ouve músicas tristes no piano? Estas observações inocentes guiam a atenção dos leitores para as contradições e lacunas da natureza humana. Este livro ilustrado é uma festa para os olhos. Usando três cores — branco, muito preto e um vermelho vibrante e intenso —, formas ásperas, perspetivas «falsas» e um texto manuscrito usando os mais diversos tipos de letra, Afonso Cruz captura visualmente o caráter inteligente-subversivo dos pensamentos das crianças. (Idade: 7 +)»

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Gonçalo M. Tavares e Afonso Cruz vencem Prémios SPA/RTP

Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, e A Contradição Humana, de Afonso Cruz (publicados pela Caminho em 2010), foram ontem distinguidos na Gala do Prémio de Autor que se realizou no Centro Cultural de Belém e que foi transmitida em directo pela RTP1.

Os dois autores foram os vencedores da categoria literatura, sendo que Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, foi considerado o melhor livro de ficção narrativa e A Contradição Humana, com texto e ilustrações de Afonso Cruz, o melhor na categoria de literatura infantil-juvenil.

Criado em 2010, o prémio é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores e da RTP e visa reconhecer a obra autoral, nas suas várias áreas. A cerimónia, transmitida em directo pela RTP1, foi apresentada por Catarina Furtado.

domingo, 31 de outubro de 2010

A Contradição Humana

Título: A Contradição Humana
Autor: Afonso Cruz
Editora: Caminho

Sinopse:
"Depois de me deparar com estas coisas que desafiam a lógica de todo o UNIVERSO CONHECIDO, comecei a observar algo mais curioso ainda. Dentro das pessoas (e isso inclui os vizinhos) habitam as maiores contradições."
Depois de ter recebido o prémio Maria Rosa Colaço 2009 para Literatura Juvenil com Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, também publicado pela Caminho, Afonso Cruz traz-nos as observações de uma criança atenta ao mundo, às suas contradições e opostos, combinando ironia e argúcia com um talento narrativo que passa igualmente pela sua ilustração.

Opinião:
Há primeira vista, temos um divertido livro infantil, que se pode ler para qualquer criança com menos de cinco anos e sem televisão por cabo. Uma criança perspicaz apercebe-se das contradições do mundo e descreve-as com uma ironia inocente.
E se tivermos em consideração que Afonso Cruz desenhou cada ilustração e cada letra, que coloriu os desenhos e pintou com palavras, apercebemo-nos que "A Contradição Humana" é mais um objecto de arte do que um objecto de literatura. Agradável e intrigante para os olhos, tanto nas ilustrações como nas escolhas e alterações do tipo e tamanho de letra, interessante e humorístico no texto, é impossível não se sentir orgulho de colocá-lo na estante.

Um quadro em formato de livro, ou um livro para emoldurar...

sábado, 5 de junho de 2010

Machado dos Santos - O Herói da Rotunda

Título: Machado dos Santos - O Herói da Rotunda
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Afonso Cruz
Editora: Texto

Sinopse:
Vem conhecer a história de António Maria Machado dos Santos, o homem que na madrugada do dia 4 de Outubro de 1910 chegou à Rotunda para liderar centenas de homens na defesa desta posição estratégica. Mantendo-se firme e irredutível, mesmo face a notícias contraditórias que davam a revolução como detida pelas forças do Rei, Machado dos Santos aguentou a posição e a sua atitude foi decisiva nos eventos que se desenrolaram, culminando com o anúncio da implantação da República, a 5 de Outubro de 1910. Cem anos depois, José Jorge Letria relata-nos a vida de Machado dos Santos, e Afonso Cruz ilustra, de forma exemplar, a vida deste herói esquecido. Público-alvo: 4 - 6 anos

Opinião:
Continuando as leituras alusivas ao centenário da proclamação da nossa República, sabe sempre bem rejuvenescer uns anos e ver explicadas "por miúdos" e para miúdos as coisas mais complicadas! Aproveitei também para apreciar Afonso Cruz (lembram-se, "Os Livros que Devoraram o meu Pai") noutra das suas artes.
Confesso que aprendi um pouco mais, sem esforço e em poucos minutos, para além dos minutos que se seguiram à leitura, passados a pesquisar descontraidamente.
Sendo o público-alvo 4-6 anos, na minha opinião, talvez seja um pouco extenso e elaborado demais. Apontaria para fim do 1º ciclo, início do 2º... Já as ilustrações, em cores vivas, certamente que despertarão a atenção dos mais novos, mas a fina ironia presente em algumas delas, possivelmente passará despercebida.

Um livro que tem o seu lugar no degrau que levará as crianças até aos mais elaborados Romances Históricos e representa mais uma forma de aprender um pouco sobre a nossa História.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Entrevista com Afonso Cruz - autor de "Os Livros que Devoraram o Meu Pai"

   Afonso Cruz escreve e, além de ilustrador, realiza filmes de animação – às vezes de publicidade, às vezes de autor –, toca e compõe para a banda de blues/roots “The Soaked Lamb”. Produz a sua própria cerveja e usa chapéu. Em Julho de 1971, na Figueira da Foz, era completamente recém-nascido e haveria, anos mais tarde, de frequentar lugares como a António Arroio, as Belas Artes de Lisboa, o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de meia centena de países.

   Apesar de muito ocupado, o autor que nos apaixonou com "Os Livros que Devoraram o Meu Pai" arrajou tempo para responder a algumas perguntas colocadas pelo Páginas Desfolhadas!

Páginas Desfolhadas: Como nasce "Os Livros que Devoraram o Meu Pai"?
Afonso Cruz: Nasce de histórias, já que é essa a nossa composição química. Escolhi uns clássicos que, depois de prolongar e alterar os finais, se poderiam enquadrar num enredo sobre o arrependimento e o modo como lidamos com o passado e com os nossos erros. Depois, formalmente, seria necessário ter um embrulho apelativo. Surgiu então a ideia do escriturário que se perde na leitura, partindo de uma expressão idiomática que usei literalmente (ou literariamente). No fundo, esta camada da história é herdeira de Homero. Ulisses também viaja e sucumbe à sua paixão, perdendo-se. Telémaco irá à procura dele, do mesmo modo que eu fiz Elias Bonfim procurar o pai. Não há nada mais moderno do que a Antiguidade.

PD: Se leu a nossa opinião, sabe que apreciámos bastante este seu livro. Fica a ideia que por vezes tenta pintar, utilizando as palavras e a pontuação...,
AC: Li e foi das críticas que mais gostei de ler. Não só por ser francamente positiva, mas pela emoção que faz passar. Até eu fiquei com vontade de ler o livro.

Utilizei, por vezes, alguns jogos visuais ou frases com alguma carga imagética, um pouco como se faz na poesia visual. Na verdade, até é uma pena que as características visuais e estéticas das letras e da escrita não sejam utilizadas com mais frequência. Os árabes muçulmanos têm uma longa tradição do uso ornamental das letras. Por causa da limitação religiosa de representar figuras, acabaram por conseguir coisas espantosas só com os caracteres do seu alfabeto.
De resto, gosto que a leitura possa ser vista, mesmo quando é lida. Uma espécie de cinema só que  com melhores efeitos especiais. Não há 3D que se compare a uma boa metáfora.

PD: Houve algum clássico que desejasse incluir na história mas para o qual já não encontrou espaço?
AC: Vários. Tem de haver um compromisso com o enredo. Se tivesse de escolher um livro do H. G. Wells sem pensar na história que queria contar, escolheria outro. Gosto muito, por exemplo, da abertura de A Máquina do Tempo. Deixei de fora alguns dos meus autores preferidos, como é o caso de Kazantzakis, Saint- Exupéry ou Thomas Mann. E a Odisseia, por exemplo (apesar de ser uma coisa subliminar na história) não faz parte da narrativa. Um dia, se formos parar todos ao mesmo inferno, terei de me desculpar. Tenho a certeza que Kazantzakis leva estas coisas a peito.

PD: A que faixa etária tentou dirigir a sua escrita neste livro?
AC: Tentei escrever uma história que pudesse ser apreciada por adolescentes e adultos. É sempre um desafio complicado, arranjar uma voz que possa ser fruída por idades tão diferentes. Daí a minha opção de escrever uma aventura que pudesse entreter e, ao mesmo tempo conter um tema mais adulto como é a expiação, a culpa e claro, esse abismo sinistro que é, para mim, uma repartição de finanças.

PD: O que podemos esperar, falando de literatura, de Afonso Cruz para o futuro?
AC: Este ano espero ver publicados dois livros: um para a infância (com ilustrações minhas), que será editado pela Caminho, e um romance – de características muito especiais (pelo menos na minha cabeça) - que será editado pela Quetzal.

PD: Escrita, ilustração, filmes de animação, cerveja... Que arte falta a este DaVinci dos tempos modernos?
AC: Acusam-me muitas vezes de ser um homem do Renascimento. Pessoalmente, acho que não estou assim tão mal conservado.
Porque vivo no campo, ando com vontade de plantar um olival muito grande, capaz de me fornecer quantidades incríveis de azeite (talvez um ou dois garrafões de cinco litros para consumo pessoal). Já tenho doze oliveiras (que baptizei com os nomes dos apóstolos), mas, para conseguir o tal garrafão preciso de evangelizar muito mais árvores. Tenho saudades do mecenato do Duque Lodovico Sforza: a rega gota-a-gota não é barata. Também gostaria de fazer queijo, mas, nas redondezas, não me vendem leite cru.

PD: Propomos agora, cruelmente, que opte apenas por uma das actividades a que se dedica. Qual a eleita?
AC:o é cruel. Não hesitaria em escolher a literatura. Gosto muito de tocar ao vivo, de compor, do mesmo modo que também gosto de ilustrar, desenhar e de fazer filmes, mas prefiro escrever. Sem hesitar.

PD: Sabemos que utiliza o Facebook, tem um blogue... Como pode um autor em ascensão explorar as novas tecnologias?
AC: Creio que é, a cada dia que passa, mais importante. Blogues e redes sociais permitem uma exposição que seria impensável há uns anos e dão ao próprio autor a possibilidade de intervir directamente na promoção das suas obras. Abundam exemplos de casos de sucesso que começaram por aparecer em blogues e redes sociais. Espaços como este, como Páginas Desfolhadas, são um grande exemplo de divulgação online. Mesmo quando têm autores como eu a responder.

PD: Onde podemos encontrar um pouco mais da sua obra (literária ou gráfica)?
AC: Tenho um blog que me serve de portefólio: afonso-cruz.blogspot.com
E tenho outro onde vou escrevendo umas coisas: oficinaavapor.blogspot.com
E ainda outro espaço, colectivo, dedicado à minha banda, The Soaked Lamb (que acabaram de lançar o segundo disco): soakedlamb.com

Muito obrigado por todo o tempo dispensado. Esperamos ter oportunidade de ler mais obras da sua autoria, desde as poucas já publicadas às muitas que ainda virão!

terça-feira, 2 de março de 2010

Os Livros que Devoraram o Meu Pai

Título: Os Livros que Devoraram o Meu Pai
Autor: Afonso Cruz
Editora: Caminho

Sinopse:
Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

Opinião:
    Vou contar-vos como será a vossa leitura de "Os Livros que Devoraram o Meu Pai" se se aventurarem a tal (e prometo que em breve ficarão com vontade de o fazer): lêem distraidamente a sinopse e ficam sem saber muito bem o que estará entre as páginas, iniciam a leitura e, ao fim de duas páginas, voltam a fitar a capa procurando o nome do autor. Nesta altura questionam-se: Afonso Cruz, como é que eu nunca ouvi falar dele? Não se demoram muito e voltam rapidamente à leitura. Uma hora depois (durante a qual ignoraram várias chamadas telefónicas) fecham o livro e vão procurar a restante obra do autor para a adquirirem na próxima visita a qualquer livraria (descobrirão que também é ilustrador, entre outras artes...).
    Penso que já deu para perceberem a minha opinião sobre o livro... Umas cem páginas, de letra grande com espaçamento generoso, onde cabem dos mais brilhantes recursos de estilo que li em literatura juvenil e onde há espaço, também, para uma breve visita a alguns dos grandes clássicos da literatura mundial. Deixo-vos um pequeno exemplo, que talvez encaixe em muitos de nós:
"O meu pai só pensava em livros, mas a vida não era da mesma opinião, a vida dele pensava noutras coisas, andava distraída, e ele teve de se empregar."
    Também eu tive de me empregar, mas, sem a vida dar por isso, arranjo tempo para me deliciar com palavras simples arrumadas desta forma magistral!

    A minha sugestão: comprem todos, leiam num instante e emprestem ao jovem mais próximo (não se esqueçam de pedir de volta)!