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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Miramar

Título: Miramar
Autor: Naguib Mahfouz
Editora: Civilização

Sinopse:
Um romance coeso e de grande carga emocional sobre vidas que se cruzam, Miramar desenrola-se na Alexandria do início dos anos 60. Seis personagens, todas agora exiladas por força das circunstâncias, tornam-se residentes da elegante e decadente Pensão Miramar. A figura central é Zohra, a bela camponesa cuja relação com as outras cinco personagens simboliza a essência da realidade política e social da época.

Opinião:
"O Beco dos Milagres", deste mesmo autor, foi uma das mais agradáveis surpresas literárias desde que me conheço como leitor. Assim, quando vi editado mais um livro de Naguib Mahfouz, entrou imediatamente para a lista das leituras para breve. 
Mais uma vez, o autor precisa de pouco para a sua história. Em vez de um beco, temos uma pensão, com a sua dona, criada e residentes. Basta isto para mais uma narrativa rica em problemas das interacções das diversas naturezas humanas, dos lados bons, dos maus, das invejas e solidariedade, das lágrimas e amizades. Tudo só numa pensão, e mesmo até numa só personagem. 
A história é contada à vez, através do olhar de cada uma das personagens. Alteram-se os ritmos e sentimos a raiva de um, a serenidade de outro, o modestamente humano de todos.

Como uma receita que precisa apenas de dois ou três ingredientes para saciar, Miramar saciar-vos-á a cabeça de interrogações.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Beco dos Milagres

Título: O Beco dos Milagres
Autor: Naguib Mahfouz
Editora: Contraponto

Sinopse:
A acção de O Beco dos Milagres, um romance de pendor realista, decorre durante a Segunda Guerra Mundial, num beco da grandiosa capital que é, então, o Cairo.

Por este bairro pobre da zona antiga do Cairo, desfilam os protagonistas de pequenas tragédias e aspirações banais imaginados por Mahfouz: a paixão do doce barbeiro Alhilu pela ambiciosa Hamida; a mãe de Hamida, casamenteira, que arranja um bom noivo a Senia Afifi, senhoria de boa parte dos moradores do beco; as fantasias do cinquentão Alwan; a homossexualidade de Quercha, o dono do café; a sabedoria, a religiosidade e o eterno optimismo de Radwan Husseini, entre outros.

Opinião:
Imersos como estamos por literatura americana e europeia, é bom fugir destas fronteiras por vezes e ler algo com um aroma diferente.
Optei por este título egípcio, de um autor vencedor do Prémio Nobel, pois pareceu-me que seria uma boa companhia de viagem nas férias que já lá vão.
O cenário da história é extraordinariamente simples: um beco, com tudo o que de banal têm todas as ruas de grandes cidades, mas também com todos os traços únicos que individualizam estas pequenas aldeias perdidas no interior de metrópoles. Cada habitante do bairro tem traços típicos, excêntricos, que provocam tanto atracção como repulsa. Como pano de fundo, a omnipresente Segunda Guerra Mundial, que acaba por determinar muitas das decisões mais importantes dos personagens.
Sendo uma cultura algo diferente da nossa, a leitura torna-se bastante cativante, pois sentimo-nos a percorrer cada canto e cada casa do beco, com um pormentor tal que quase sentimos os odores que pairam no ar.
Acabam por ser várias histórias que se entrelaçam, com vários finais e muito para o leitor pensar.

Um pequeno tratado das decisões e interacções humanas, ditadas pelas ambições e possibilidades. Um escape refrescante da "ocidentalidade".