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terça-feira, 26 de julho de 2016

A Pura Verdade

Título: A Pura Verdade
Autor: Dan Gemeinhart
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Nunca é tarde demais para vivermos a maior aventura da nossa vida!

Mark é um rapaz normal em quase todos os sentidos. Tem um cão que dá pelo nome de Beau, e Jessie, a sua melhor amiga. Gosta de fotografia e de escrever poemas no seu caderno. O seu sonho é escalar um dia uma montanha. Mas há algo nele que o torna uma criança diferente das outras.

Mark está doente. Tem uma doença da qual muitos não recuperam e que o obriga a constantes idas a hospitais e a fazer tratamentos. Por tudo isto, Mark decide fugir de casa. Leva consigo a sua máquina fotográfica, Beau e um plano: alcançar o cume do monte Rainier, mesmo que isso signifique a última coisa que irá fazer.

A Pura Verdade é uma história invulgar e extraordinária sobre as grandes questões da vida, pequenos momentos e a espantosa aventura do espírito humano.

Opinião:
   Li este livro em plena época natalícia. Trouxe consigo lágrimas e emoção por não poder abraçar aquele rapazinho, e com ele todos os rapazinhos e todas as meninas que sofrem tão mais do que qualquer criança deveria. Não sendo possível o abraço, esbanjei tanto espírito natalício quanto me foi possível entre os que precisam. Pelo menos serviu um propósito!
   Mark está doente. Sendo esta a realidade central em todo este livro, e o móbil que impulsiona toda esta aventura, não é esta a história. Uma criança com um sonho e com toda a força de vontade que qualquer criança tem quando quer mesmo qualquer coisa. Juntemos à vontade, o sonho, o pouco tempo e uma inteligência considerável e temos como resultado final um livro tocante, que marca pelos pequenos momentos, pelos pequenos detalhes que iluminam ou entristecem cada dia desta jornada. Uma vontade férrea que não quebra e pouco cede. Foco no objetivo indiferente a contratempos e medos. Só uma situação limite consegue potenciar esta viagem, mas o que a alimenta é muito mais, é a essência da vida humana - sonho e imaginação.

   Este livro não é fácil de ler, apesar da sua escrita ser fluída, simples e até infantil. Servirá de consciência a alguns e de conforto a outros. Uma história fantástica, que todos deveriam conhecer.

   Para mais informação sobre este livro clique aqui!

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Um Lugar Chamado Aqui

Autora: Cecelia Ahern
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Sandy Short tornou-se obcecada por coisas e pessoas perdidas, desde que, ainda criança, uma colega sua desapareceu sem deixar rasto. Desde então não conseguia descansar enquanto, pelo menos, não descobrisse uma pista que fosse daquilo que desaparecera. Até que um dia ela própria desapareceu... Este é um encantador conto onde a magia, o humor e as vicissitudes da inesperada busca se fundem harmoniosamente para criar um envolvimento que prende o leitor. No fundo, trata-se da história de uma mulher à procura de si mesma, contudo, nesta divertida parábola, a autora explora temas ligados ao sentido profundo da vida, como conservar, deixar ir ou perder, mas também lidar com a identidade face à passagem do tempo, recordar as suas raízes e apreciar o valor do amor. Um romance notável, pela criadora de PS. - Eu Amo-te, que deu origem ao enorme êxito do grande ecrã com o mesmo nome.

Opinião:
   Fico sempre impressionada quando leio qualquer coisa de Cecelia Ahern. Por muito tempo que passe, quando pego no livro, ou quando leio a sinopse, consigo sempre lembrar-me das sensações que o livro me trouxe. Não será o mais frequente entre todas as minhas leituras. 
   "Um Lugar Chamado Aqui" demorou até chegar à estante cá de casa. Fazia parte dos livros a encontrar, mas não era fácil encontra-lo quando pudesse ser adquirido. Até que foi possível.
   Este livro é um bocadinho diferente do romance habitual (como são todos os livros de Ahern). É um livro sobre uma pessoa que procura por outros até se encontrar a si própria. A forma como esta viagem é descrita e a realidade que a autora descreve para atingir esse objetivo é engenhosa, roçando o brilhante. Ler "um Lugar Chamado Aqui" mexeu comigo. Acredito que terá tido o mesmo efeito com outros leitores, porque é esse também o seu objetivo. Abrir em cada um de nós o que temos fechado, barrando a nossa relação com outros e connosco. Ler sobre perda, nas suas múltiplas dimensões e aprender sobre encontro e libertação, tudo sem melodrama ou fé à mistura. Quase com a cadência de história infantil, um conto de fadas, somos levados pela mão ao lado de Sandy até chegarmos com ela a uma conclusão, um final.

   Indiscutivelmente recomendado! Uma leitura deliciosa que pode acompanhar um pôr do sol veranil ou uma chávena de chá em frente à lareira. Intemporal!

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domingo, 24 de julho de 2016

Dívida de Sangue

Título: Dívida de Sangue
Autora: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Sookie Stackhouse está numa maré de azar: primeiro o seu colega de trabalho é morto e ninguém se parece preocupar; depois, é atacada por uma criatura que a infecta com um veneno doloroso e mortal. Tudo se complica quando Bill nada consegue fazer e pede a ajuda de Eric para lhe salvar a vida. A questão é que agora ela está em dívida para com Eric - um vampiro deslumbrante mas tão belo quanto perigoso. E quando ele lhe pede um favor em troca, ela tem que aceder.
De repente, Sookie está em Dallas a usar os seus poderes telepáticos para encontrar um vampiro. A sua condição é que os humanos não devem ser magoados. Mas a promessa de os vampiros se manterem na ordem é mais fácil de dizer do que de cumprir. Basta uma bela rapariga e um pequeno deslize para que tudo comece a correr mal…
Entretanto, também Eric tem os seus próprios segredos...

Opinião:
   Depois de resistir por uns bons meses, não aguentei mais e peguei com muita vontade no segundo volume da saga Sangue Fresco! Depois do primeiro volume e da primeira temporada da série correspondente, este segundo volume foi... uma desilusão.
   Confesso que a culpa terá sido inteiramente minha. Depois da paixão inicial, não me contive, e vi toda a primeira temporada de True Blood. Inconsciente de que esta abrangia mais do que um volume da série escrita (na minha vontade de mais ver, tomei tudo o que fugia do plano escrito como liberdade artística), pelo que quando retornei à dimensão das letras nada era novidade, tudo tinha sido já visto... Spoilers para os quais não tinha sido alertada levaram toda a diversão da novidade que tanto justificam o sucesso de um livro.
   Dito isto, se não considerar a falta de novidade, o livro mantém a mesma linha do volume inaugural, acrescentando mais personagens e seres fantásticos (é sempre difícil a restrição a um tipo de criatura nestes livros), o que dá mais graça ao argumento. 

   Terminado o livro, não fiquei cheia de vontade de pegar no próximo volume. Sei lá quão longe foi a série em relação ao escrito! Mas isto via continuar. Leitora persistente como sou, acabarei por ler a totalidade da colecção. Alguém me pode recriminar?

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Howards End

Título: Howards End
Autor: E. M. Forster
Editora: Penguin Books LTD

Sinopse:
As clear-eyed Margaret develops a friendship with Mrs Wilcox, the impetuous Helen brings into their midst a young bank clerk named Leonard Bast, who lives at the edge of poverty and ruin. When Mrs Wilcox dies, her family discovers that she wants to leave her country home, Howards End, to Margaret.

Opinião:
   Ao abrigo do "The OSCARs Project" surge "Howards End" como leitura obrigatória. Sendo E.M. Forster um dos grandes nomes da literatura inglesa, foi com alguma surpresa que não encontramos tradução publicada desta obra. No entanto, não se desiste assim de um livro, pelo que me embrenhei cheia de coragem na versão original, com esperança de que o meu inglês coloquial me permitisse percebê-la.
   Esta obra é um tratado sobre a sociedade inglesa pré-guerra mundial. Com uma mestria admirável, sempre num tom tranquilo e cadenciado, que parece ser o ritmo basal de qualquer gentleman inglês, Forster consegue entrançar com meia dúzia de personagens formas absolutamente contrárias de encarar a vida e estratos sociais totalmente díspares, sem que nunca pareça forçado o encontro ou a relação entre seres tão diferentes.
   É por esta arte que a sua obra é celebrada. E comprovo que realmente a forma como Forster o faz é artística.
   Ler a obra na sua língua original não foi tão difícil como poderia esperar. Tirando algumas expressões que desconhecia, a maior parte do livro é absolutamente percetível. No entanto, é um livro pesado, de ação lenta e cheio de descrições detalhadas. Sendo parte integrante da alma do livro, não torna fácil a sua leitura. Acabei por intercalar a leitura de outros livros com esta, sem no entanto perder noção da ação. Mais um ponto a favor do autor.

   A adaptação cinematográfica é muito fiel ao livro. Mantém a cadência tranquila e cadenciada que o carateriza sem deixar de retratar com algum detalhe as relações que são a alma da obra.
   Não sendo um livro fácil, achei o filme muito agradável, com desempenhos deslumbrantes a merecerem galardões. Merece ser visto.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A Eterna Demanda

Título: A Eterna Demanda
Autora: Pearl S. Buck
Editora: Elsinore

Sinopse:
Sou suficientemente americana, talvez, para querer casar-me contigo passando por cima de tudo aquilo que sou, mas, ai de mim, chinesa que baste para saber que devo ponderar.
Que pode o conhecimento dos livros contra a experiência íntima da vida? Randolph, jovem de extraordinária criatividade, parece ter um destino traçado para o êxito. Nascido nos Estados Unidos, parte pela Europa e Ásia com o desejo de descobrir o mundo vivendo-o, numa sede interminável de sabedoria.
Numa estadia em Paris, o seu caminho cruza-se com o de Stephanie. Filha de pai chinês e mãe norte-americana, também ela procura compreender e encontrar um lugar que seja seu, dividindo-se entre duas culturas aparentemente opostas. Separados durante longos intervalos e assim entregues aos seus fantasmas pessoais, preparam-se os dois para descobrir que se pode conciliar o conhecimento e a experiência, bem como as heranças ocidental e oriental, mas isso terá um preço…
Décadas depois da sua morte, em 1973, a recente descoberta do manuscrito de A Eterna Demanda, agora editado, revela-nos aquele que talvez seja o trabalho mais pessoal de Pearl S. Buck, nesta sua derradeira obra, uma comovente exploração da identidade que forjamos para nós próprios e para os outros.
O romance perdido, agora redescoberto, de uma das mais amadas escritoras norte-americanas.

Opinião:
   Nunca tinha lido nada de Pearl S. Buck, apesar de reconhecer a sonoridade do seu nome. Ter a possibilidade de ler aquele que parece ter sido o seu último romance, inacabado e perdido por décadas, trouxe uma aura de misticismo à obra.
   A primeira parte do livro é quase mágica. Acompanhar Ran desde o inicio da sua perceção de existência, ao longo da evolução extraordinária que teve a sua mente é uma viagem tão estranha quanto fantástica. Sem perder a noção de normalidade rotineira, uma mente brilhantemente inquisitiva cresce como um feijoeiro mágico deixando estupefactos todos os que assistem a este milagre. 
   Belamente escrita, com uma cadência tranquila e natural, a primeira parte deste livro diferencia-se da segunda em vários aspetos. Nessa segunda parte a ação decorre a uma velocidade quase estonteante. Continuamos a acompanhar Ran, tudo o que experiência e a forma como essas experiências contribuem para o seu crescimento mas perdemos a fineza desse crescimento. As introspeções são menos profundas e elaboradas. Os acontecimentos atropelam-se uns aos outros de forma cada vez mais alucinante até ao final que se revela dramático e brutal, demasiado rápido para a forma como o livro começou.
   Sabendo que nem toda a obra foi escrita pela autora, percebe-se que haja alguma diferença na narrativa. No entanto tenho pena. Esta seria uma obra a galardoar, com certeza, se a autora tivesse oportunidade de a terminar.

   De qualquer forma, acho que é uma obra merecedora de atenção. Abre horizontes.

domingo, 13 de setembro de 2015

Época de Migração para Norte

Título: Época de Migração para Norte
Autor: Al-Tayyeb Salih
Editora: Cavalo de Ferro

Sinopse:
Contado com um humor e sensibilidade únicos nas letras africanas contemporâneas, o romance constrói-se em torno de duas histórias paralelas e relata o trajeto, até simbólico, de um homem que parte de uma pequena aldeia sudanesa para obter uma educação no Reino Unido e o seu misterioso regresso após um processo de homicídio e violação. No período pós-colonial dois homens sudaneses, o narrador anónimo e Mustafa, depois de encetarem um percurso individual idêntico que consiste na emigração para a Inglaterra e no regresso às origens - o Sudão - interagem e redescobrem-se. A experiência no estrangeiro de Mustafa Sa’eed foi totalmente distinta da do narrador mas é com este que Mustafa partilha as suas histórias, que o narrador nos transmite incorporando as suas próprias emoções.
Nas narrativas de Mustafa manifesta-se o paradoxo do homem negro exoticizado. Mustafa valeu-se da sua inteligência e da sua capacidade de estudo para obter uma bolsa de estudo em Inglaterra. Uma vez ali, dá-se conta do quanto pode explorar o estereótipo que se lhe aplica: exótico, hiper-sexual, proveniente de um continente obscuro que promete sensações inusitadas. Seduz as mulheres inglesas, divertindo-se à base desse estereótipo. Para elas a conquista pressupõe o conhecimento do prazer proibido, para ele a sedução supõe subjugar até à destruição e desumanizar a mulher branca. Até que os papéis se invertem e uma mulher o desumaniza.
Só quando Mustafa regressa ao seu país é que se dá conta do quanto desperdiçou, do mal que fez aos outros e também a si próprio. O seu relato envenena o narrador que, como o próprio Mustafa, se submerge no Nilo para desaparecer. Mas, no último momento decide viver e contar-nos a história.
São estes dois fios narrativos que oferecem uma valiosa oportunidade de conhecimento e reflexão. O enigma de Mustafa atrai, intriga e, como ao narrador, por vezes desespera mas nunca cansa. 

Opinião:
   Tal como acontece com a China e com a maior parte do oriente, também o continente africano e o seu povo povoam o meu imaginário caracterizados pelo que filmes, séries e reportagens televisivas criaram. Sobre a sua cultura e realidade sei pouco ou mesmo nada, pois não são essas as melhores formas de as conhecer. Mesmo no que a leituras diz respeito, sei que poucos livros conseguem transportar-nos ao centro de um povo, fazendo-nos entrever que motivações o movem, e por que regras ou tradições se regem.
   "Época de Migração para Norte" é uma dessas raras obras que nos mostram fielmente um pouco da cultura sudanesa assim como algumas tradições e crenças que impregnam uma sociedade muçulmana. Apenas graças à realidade britânica que educou dois dos principais intervenientes é possível seguir-los e aos seus pensamentos, é possível de alguma forma relacionar-nos com eles. Todo o livro é criado em torno do relato de Mustafa, um homem intenso e perdido, sem um objetivo que emocione a sua mente brilhante. Assim, este homem torna-se um mestre na manipulação humana, sentindo-se desafiado por jogos do género. Não teve o melhor resultado, e acaba por voltar ao seu povo e às suas raízes sem conseguir obter a catarse que lhe poderia dar paz. Cruza-se com o narrador desta história, e com várias outras personagens que caraterizam o seu povo e através das quais descobri certezas, motivações e regras que não conhecia, e que me são difíceis de perceber. 
   Um livro riquíssimo, belamente escrito, explorando sociedade e natureza humana de uma forma a que não estou habituada. Adorei a sua leitura.


   Tido como obra a preservar pela humanidade, esta é uma obra a não perder. Será o tipo de livro que enriquece uma alma.

sábado, 12 de setembro de 2015

A Opinião do Vencedor: "Que Esperam os Macacos"

Título: Que Esperam os Macacos
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.
Que esperam os macacos é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

Opinião do Vencedor:
Este foi o primeiro livro que li de Yasmina Khadra, as expectativas estavam muito elevadas, uma vez que as várias opiniões que li sobre o autor, na sua generalidade, são unânimes em referir a excelente literatura. Devo dizer que as minhas expectativas não saíram defraudadas, se é um facto que não consegui entrosar-me imediatamente com a história, o final apoteótico do livro fez-me aconselhar a sua leitura sem reservas. Uma história crua pelos meandros do bem e do mal, que nos deixa com uma nota de esperança. Mais uma vez muito obrigado pela oportunidade.

por Hermenegildo Guerreiro

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Sangue Fresco

Título: Sangue Fresco
Autora: Charlaine Harris
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Uma grande mudança social está a afetar toda a humanidade. Os vampiros acabaram de ser reconhecidos como cidadãos. Após a criação em laboratório, de um sangue sintético comerciável e inofensivo, eles deixaram de ter que se alimentar de sangue humano. Mas o novo direito de cidadania traz muitas outras mudanças…
Sookie Stackhouse é uma empregada de mesa numa pequena vila de Louisiana. É tímida, e não sai muito. Não porque não seja bonita - porque é - mas acontece que Sookie tem um certo "problema": consegue ler os pensamentos dos outros. Isso não a torna uma pessoa muito sociável. Então surge Bill: alto, moreno, bonito, a quem Sookie não consegue ouvir os pensamentos. Com bons ou maus pensamentos ele é exatamente o tipo de homem com quem ela sonha. Mas Bill tem o seu próprio problema: é um vampiro. Para além da má reputação, ele relaciona-se com os mais temidos e difamados vampiros e, tal como eles, é suspeito de todos os males que acontecem nas redondezas. Quando a sua colega é morta, Sookie percebe que a maldade veio para ficar nesta pequena terra de Louisiana.
Aos poucos, uma nova subcultura dispersa-se um pouco por todos os lados e descobre-se que o próprio sangue dos vampiros funciona nos humanos como uma das drogas mais poderosas e desejadas. Será que ao aceitar os vampiros a humanidade acabou de aceitar a sua própria extinção?

Opinião:
   Quando "Sangue Fresco" fez sensação, não foi o tipo de leitura que me chamasse a atenção. Estávamos em plena época de adoração vampírica com múltiplos livros e coleções a atingirem o topo das tabelas de vendas e, a mim, tudo me parecia um pouco exagerado.
   Vários anos volvidos, percebo que tenho na estante alguns livros da saga "Sangue Fresco". Porque mos ofereceram, porque os comprei em oportunidades de pechincha ou porque simplesmente lá nasceram. E estando presentes, têm direito a ser lidos. Foram sendo ofuscados sucessivamente até que, num belo dia de ócio, a minha curiosidade fora de tempo me levou até ao primeiro volume.
   Sendo fã de fantástico e de tantas outras histórias que se assemelham a esta, mais que não seja na loucura sobrenatural de que é composta, não poderia deixar de gostar. Confirma-se - gostei bastante do que li. Num cenário ainda não imaginado a autora trás para o nosso seio uma espécie predadora que se confessa arrependida e com intenção de genuína integração. Uma miríade inesgotável de questões sociológicas, a grande e pequena escala, torna esta ideia absolutamente louca e, por isso mesmo, interessante. De forma muito inteligente Charlaine Harris explora cada uma das questões e situações possivelmente presentes perante tamanha loucura, sem deixar de acrescentar sexo e romance a cada capítulo. Irresistível receita! 
   Volvido o primeiro volume, tive que esconder os seguintes para me impedir de os ler até acabar. Maçada das maçadas, ainda são uma bela dezena! Sem dúvida, pontuarei a minha lista de leituras com eles sempre que me aborrecer.
   Perante tamanha fama, juntei à leitura do livro a primeira temporada da série "True Blood" produzida pela HBO. Apesar de encarar com estranheza as diferenças entre ecrã e página escrita, confesso ter gostado bastante da adaptação. Não será, com certeza, material para os mais novos ou para os mais pudicos. No entanto, trata-se de uma adaptação que cumpre o seu objetivo último de forma impiedosa - entretém!

   Um livro a considerar. Vem provar que fama mundial e semanas a fio no topo de vendas não são sinónimo de loucura coletiva. Uma coleção a continuar.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O Pavilhão das Peónias

Título: O Pavilhão das Peónias
Autora: Lisa See
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Para a jovem Peónia, prometida a um noivo que nunca conheceu, os textos de O Pavilhão das Peónias reflectem os seus sentimentos. Como a heroína desse drama épico, Peónia é uma jovem enclausurada, filha de uma família abastada e, ainda que educada na obediência, tem os seus sonhos e anseios muito próprios. Assistindo no jardim de sua casa à representação da ópera, por entre o cheiro do gengibre e do jasmim, Peónia depara-se com um belo jovem de cabelo negro e deixa-se arrastar pela paixão. Começa assim a sua inesquecível jornada de amor e assim se traça o seu destino e o seu desgosto.
Enraizado nas tradições e na história da China do século XVII, quando os Manchu haviam acabado de tomar o poder esmagando a dinastia Ming, este poderoso romance de Lisa See transporta-nos para outra época e para paragens exóticas. Uma obra notável na qual a autora aborda de forma fascinante as diversas manifestações do amor, a amizade, o poder da palavra e o desejo ancestral das mulheres de se fazerem ouvir.

Opinião:
    Tivemos oportunidade de visitar a China pela primeira vez nas nossas férias. Atendendo ao destino, nada melhor do que leitura condicente! Assim, de entre alguns títulos adequados, escolhi "O Pavilhão das Peónias" para me acompanhar. Não fazia ideia do tesouro que levava comigo!
   O meu conhecimento sobre a cultura chinesa passava pelos restaurantes que nos povoam as ruas e por imagens dispersas de filmes, documentários e eventos. o "Pavilhão das Peónias" levou-me numa viagem fabulosa ao coração da China. Não ao coração da China geográfica, mas ao coração do seu povo. Entrando com Peónia numa sociedade tradicional e tão diferente da nossa, conheci com a jovem adolescente as regras e crenças que os regiam. Não se tratando de uma cultura que me seja familiar, todos os pormenores me deixaram maravilhada. A própria história evolui de forma muito particular, tornando cada página numa surpresa contínua.
   Ler este livro foi uma experiência muito completa como leitora. A descoberta a cada página, a maravilha do novo e a vontade de não largar o livro. Já há algum tempo que não tinha tanto prazer com uma leitura.

   Absolutamente recomendado. Uma autora a manter por perto e, definitivamente, um país a visitar novamente.

domingo, 30 de agosto de 2015

O Passo Constante das Horas

Título: O Passo Constante das Horas
Autor: Justin Go
Editora: Editorial Bertrand

Sinopse:
Em 1924, Ashley Walsingham morre ao tentar escalar o Evereste, deixando a sua fortuna a Imogen com quem teve um romance mas a quem não vê há sete anos. A herança nunca chega a ser reclamada.
Em 2004, Tristan recebe uma carta de uma firma britânica que levanta a hipótese de ser ele o herdeiro direto da imensa fortuna de Ashley. Se Tristan conseguir provar que é descendente de Imogen, a herança será sua. Mas tem apenas algumas semanas antes que o prazo legal para o fazer.
Dos arquivos de Londres aos campos de batalha do Somme e aos fiordes da Islândia, passando por Berlim e sul de França, Tristan tenta juntar as peças da história por detrás da fortuna por reclamar: um intenso romance dias antes de Ashley ser enviado para a Frente Ocidental e uma ousada expedição ao cume incógnito da montanha mais alta do mundo. Seguindo um rasto de pistas pela Europa, Tristan é consumido pela história de Ashley e Imogen. Mas ao aproximar-se da verdade, percebe que talvez ande à procura de algo mais do que uma fortuna.

Opinião:
   "O Passo Constante das Horas" é mais um romance que tem como cenário o drama da primeira guerra mundial. Como importante marca na história da humanidade, naturalmente será responsável por muitas boas histórias. No entanto, talvez adivinhando a necessidade de destaque, o autor tornou este romance numa aventura, numa perseguição pelo sentido da visa, levando um descendente das personagens do romance inicial a percorrer milhares de quilómetros.
   Acompanhamos Tristan numa viagem quase descabida em que este conhece muito sobre si mesmo, descobrindo muito mais sobre a sua suposta avó e o seu tórrido e insólito romance. Enquanto leitora, ambas as jornadas se tornaram interessantes. No entanto, alguns elementos falham em tornar este livro memorável. Na exploração de Tristan e da sua viagem, muito se perde. Seria muito enriquecedor ler uma descrição mais entusiasta sobre cada um dos seus destinos.

   Um livro interessante, que pode ser uma companhia agradável nas esperas de aeroporto ou entre idas à praia.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Um Refúgio para a Vida

Título: Um Refúgio para a Vida
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Katie, uma jovem reservada e bonita, vai viver para a cidade de Southport, na Carolina do Norte, onde todos se interrogam sobre o seu passado. Que mistérios esconderá aquela mulher que parece determinada em encobrir os seus encantos e evitar novos laços afectivos? No entanto, e apesar de todas as suas reservas, Katie começa a criar raízes naquela pequena comunidade, à medida que uma nova amizade e um novo amor lhe vão fazendo baixar as defesas. Nicholas Sparks traz-nos uma protagonista fragilizada por um amor que se desvirtuou e que tem de aprender a lidar com as suas sequelas se quiser voltar a amar.

Opinião: 
   Ainda em onda de calor, Nicholas Sparks pareceu uma escolha óbvia e apetecível. "Um Refúgio para a Vida" estava na estante à minha espera há algum tempo, pelo que foi a sua vez de brilhar.
Depois de um romance leve como uma pena, ler Sparks - que brilha pela qualidade das suas personagens - foi uma evolução agradável.
   Explorando o drama do abuso doméstico com alguma mestria e criando uma relação de carinho e amor de forma subtil e morna, como tantas vezes acontece na realidade, o autor transporta-nos para uma realidade tão semelhante à nossa que é difícil lembrar-nos de que se trata de uma obra de ficção. Quase sentir que se é parte de ação não é difícil. No entanto, a faceta espiritual e até sobrenatural que se vai tornando uma constante na obra do autor não me deixa muito confortável. Apesar dela, o livro é agradável e uma excelente companhia em praia.

Uma boa escolha de leitura em época de descanso! 
Para mais informações sobre "Um Refúgio para a Vida" clique aqui!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Highlander - Desejo de um Escocês

Título: Highlander - Desejo de um Escocês
Autora: Maya Banks
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
Genevieve McInnes está fechada a sete chaves na fortaleza McHugh, prisioneira de um cruel laird que tudo faz para a humilhar. Quando Bowen Montgomery se apodera da fortaleza numa missão do seu clã, Genevieve descobre que o seu espírito ainda não está quebrado. No entanto, o seu caminho para a liberdade permanece incerto.
Incapaz de regressar para uma família que a crê morta ou abandonar os habitantes da fortaleza à mercê de um novo senhor, Genevieve escolhe adotar a vida pacífica de uma abadessa. Mas a sensualidade rude de Bowen desperta nela o desejo secreto de ceder à tentação das suas carícias.
Bowen enfrenta os maiores inimigos, mas não está preparado para lidar com esta mulher atraente que captura o seu coração. Deixa-se encantar pela sua determinação, beleza invulgar e força inabalável. Mas será preciso muito mais do que as artes de um sedutor para a conquistar. Se quer amar Genevieve, terá de fazer a escolha entre libertá-la ou perdê-la para sempre…

Opinião:
Com o calor, surge sempre uma vontade indescritível de ler um romance que acorde o nosso lado mais sonhador e fantasioso. Com "Highlander - Desejo de um Escocês" esse objetivo é facilmente alcançado!
Com uma escrita de leitura fácil e corrida, Maya Banks constrói personagens com traços marcados e histórias intensas que nos agarram sem qualquer piedade. Apesar da trama  ser linear, sendo fácil perceber com antecedência as dificuldades que surgirão e de que forma serão ultrapassadas, o romance simples e intenso prende qualquer sonhadora às páginas que escoaram entre os meus dedos como manteiga ao sol. Sendo uma história escocesa teria gostado de um maior floreado nas descrições, mas como seria de esperar esse não é o estilo desta escritora que em nada foge ao género em que se insere.
Bowen facilmente integra o imaginário da leitora, colorindo um pouco mais os luminosos dias de Verão! Uma leitura perfeita para as férias!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

As Sirenes de Bagdade

Título: As Sirenes de Bagdade
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Considerado pela revista Lire um dos melhores 20 romances de 2006, esta obra poderosamente escrita expõe as profundezas da alma humana e o intenso conflito de valores perante situações extremas.
Forçado a deixar a universidade quando os americanos invadem o Iraque, um jovem de uma aldeia remota regressa a casa e assiste a três acontecimentos que irão alterar a sua vida para sempre: o acarinhado tolo da aldeia é morto por soldados americanos; dias depois uma festa de casamento é alvo de um massacre do exército invasor, mais tarde, os exércitos à procura de terroristas invadem a sua casa e humilham o pai idoso perante toda a família. Consumido pelo desejo de vingar tal humilhação, parte para Bagdade onde integra um grupo de radicais dispostos a tudo pela causa iraquiana. Após participar em diversos ataques dirige-se a Beirute onde será treinado para a sua suprema missão cujo destino é Londres. No momento de embarcar para Inglaterra porém, a sua determinação vacila perante os seus princípios morais. Um olhar arrepiante e magistral sobre a violência e os seus efeitos nos cidadãos comuns As Sirenes de Bagdade abordam um tema que poucos ousam analisar.

Opinião:
Este é o terceiro livro de Yasmina Khadra que tive o prazer de ler e será, quase indubitavelmente, o melhor dos três (apesar de os outros dois serem excelentes).
O duplo sentido do texto perde-se na tradução para português. Sirène, em francês, pode significar sirene ou sereia, o que, no contexto, representa uma dicotomia interessante. O radicalismo e a mitologia, a miséria e os sonhos, os gritos e o canto.
A sinopse expõe de forma bem clara o enredo do livro, mas é difícil imaginar o quanto pode magoar acompanhar a história deste jovem iraquiano. Conhecendo o seu destino, o impulso inicial é a incompreensão. Que tipo de horrores teria alguém que enfrentar para tomar como objetivo da sua vida um ataque terrorista suicida?
Acompanhar o seu terrível caminho colocará ao leitor incontáveis dúvidas. De quem é a culpa? Quem começou primeiro? Será que alguém irá parar? Acho que Gandhi tinha a resposta: "An eye for an eye only ends up making the whole world blind".
Khadra é dotado de uma capacidade de escrita sublima e acrescenta-lhe a dureza dos factos. Neste livro, enfrentou talvez a pedra mais dura, mas esculpiu-a de forma exímia. Fica a ideia que o autor não quis dar respostas, não quis apontar o dedo. Tentou apenas oferecer-nos a visão do outro lado e deixar-nos chegar às conclusões por nós.

No fundo, deveria ser esta a função de qualquer escritor.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Abre o Teu Coração

Título: Abre o Teu Coração
Autor: James Patterson
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Jennifer vivia imersa na ausência do marido Danny, que morrera há mais de um ano, quando um novo choque vem abalar a sua vida: Sam, a sua avó e melhor amiga, teve uma trombose e está internada, em coma. Mas os acontecimentos inesperados não se ficam por aqui. Sam deixara em sua casa no Lago Genebra, no Wisconsin, uma série de cartas dirigidas a Jennifer, repletas de revelações surpreendentes. E é a partir deste momento que duas histórias de amor se entrecruzam num cenário de dor e perda mas também de força e esperança. Com a beleza serena do Lago Genebra como pano de fundo, a história que Sam conta através das suas cartas mostra a Jennifer que é possível acolher um novo amor, mais intenso do que qualquer outro, mesmo que este esconda um terrível destino… Escrito num estilo despretensioso e estruturado em capítulos breves que já se tornaram na imagem de marca do autor, Abre o Teu Coração é uma obra que apela às emoções e que não se consegue pôr de lado até à última página.

Opinião:
Voltei aos romances. É incontornável. São, sem sombra de dúvidas, o meu género literário de eleição. "Abre o Teu Coração" é um livro curto e intenso. Jennifer é uma mulher de luto que se vê perto de perder a única família que lhe resta, na figura da avó, Sam, que adora. Em curtos capítulos que se devoram, seguimos Jennifer na sua ânsia de equilíbrio, no seu medo de uma nova perda. Depois de descobrir as cartas que Sam lhe deixou, Jennifer percebe que a avó não viveu a vida que pensava. Descobrindo mais sobre a vida da sua avó, Jennifer vai descobrindo mais sobre si mesma, soltando-se de amarras sem perceber, chegando mesmo a descobrir de novo o amor e a beleza de viver!

Um livro intenso sobre perda e recuperação, sobre morte e vida, sobretudo sobre esperança. Será um livro importante em alturas específicas da nossa vida. De qualquer forma, será sempre um livro que trará consigo a bonança depois da tempestade.
Para mais informações sobre "Abre o Teu Coração" clique aqui!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Livro dos Perfumes Perdidos

Título: O Livro dos Perfumes Perdidos
Autora: M. J. Rose
Editora: Clube do Autor

Sinopse:
O Livro dos Perfumes Perdidos combina história, paixão e suspense numa inebriante teia que nos leva do Egito de Cleópatra aos terrores da Revolução Francesa, dos confrontos do Tibete com a China ao encanto da moderna capital francesa.
O Livro dos Perfumes Perdidos combina a atração sensual do romance O Perfume com a beleza de A Mulher do Viajante no Tempo, numa história intensa e envolvente, inspirada em factos históricos.

Opinião:
 "O Livro dos Perfumes Perdidos" foi uma surpresa. Estando já há algum tempo na minha estante, peguei nele num impulso, sem estar certa de ter naquele momento o tempo necessário para o ler. Entretanto, depois de ler alguns capítulos, percebi que este seria um daqueles livros para os quais arranjamos sempre tempo, por mais difícil que tal possa parecer naquele momento. M.J. Rose é uma investigadora fenomenal. Partindo do pressuposto que Cleópatra criou para si uma oficina de perfumaria exclusiva, a autora cria uma trama que enlaça factos reais de forma tão perfeita que se torna difícil acreditar que tudo o que está escrito não seja verdade.
Foi com este livro que entrei no mundo da perfumaria, de tal forma que, depois de o ler, não resisti a descobrir a composição a a história por trás dos perfumes que povoam a minha toilette! Viajei pela história desta indústria, pela história de França, pelas catacumbas de Paris e travei conhecimento com o drama por que tem passado o Tibete nas últimas décadas. Factos, lugares, política e ficção misturados com uma história de amor intemporal que enlaça todas as pontas, por mais díspares que possam parecer.

Raramente aprendo tanto com um livro. Raramente um livro me fica tanto tempo na mente. Ainda mais raramente aprendo com um livro que me prende. Este será um dos livros que recordarei para sempre. Será um livro cujo título recordarei associado ao tanto que me enriqueceu. Sem dúvida, um livro a ler.

sábado, 17 de janeiro de 2015

O Amor da Tua Vida

Título: O Amor da Tua Vida
Autor: Cecelia Ahern
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Contra toda a lógica da teoria das probabilidades, Christine Rose vê-se, no curtíssimo espaço de um mês, por duas vezes diante da iminência de assistir a um suicídio. No primeiro caso, o de Simon Conway, não conseguiu impedi-lo. Mas quando, uma noite, ao atravessar a ponte de Ha' penny, em Dublin, se depara com um homem, que ameaça atirar-se ao rio, Christine promete a si mesma que desta vez não irá falhar. Adam Basil, é este o nome do misterioso estranho, não pode morrer. Tem então uma ideia inusitada: fazer um pacto com ele. Compromete-se a, até ao dia do seu 35º aniversário, a duas semanas de distância, fazê-lo apaixonar-se de novo pela vida. O Amor da Tua Vida traz-nos Cecelia Ahern no seu melhor, com uma história capaz de nos comover, divertir e apaixonar.

Opinião:
    Quem tem o azar de estar presente em duas situações de potencial suicídio no espaço de um mês? E quem, nessa situação, tem capacidade para continuar a funcionar eficazmente? Quem consegue conceber um romance no meio de toda esta confusão mental e sentimental? Só Cecelia Ahern para conseguir imprimir beleza a uma situação que tem tudo e mais alguma coisa para acabar em profundo desastre.
   Partindo do impossível, Ahern traz-nos duas vidas desconectadas, perdidas de si e dos que as rodeiam, que sob a pressão de uma morte eminente colidem e renascem dos seus próprios destroços.
Christina e Adam atravessam juntos aquele que seria o pior período da vida de cada um deles por mero acaso, por teimosia, e por milagre cada um deles transforma-se no que o outro precisa. Muito ao seu estilo, a autora traz-nos um amor inverosímil, brilhantemente forjado no desespero, com contornos de conto de fadas da sociedade moderna. Sem necessidade de elaboradas tramas, passando por momentos simples e intimistas, ao fim de poucas dezenas de páginas tornamo-nos autómatos, página após página, na vontade de fazer parte deste milagre.

Uma leitura viciante, bonita e aconchegante. Tornando o que de mais feito e desesperante nos rodeia em puro amor, a autora consegue aquecer o leitor, efeito que será potenciado por chá e chocolates em frente a uma lareira!

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Abrigo da Esperança

Autor: Debbie Macomber
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Jo Marie Rose, perante a perda quase certa do marido no Afeganistão, resolveu mudar a sua vida e comprar uma encantadora estalagem, numa acolhedora cidade à beira do Pacífico, onde pudesse receber hóspedes e proporcionar-lhes um ambiente familiar e cheio de paz. No início deste segundo livro, a primavera chegou, os rododendros carmesim e as azáleas vermelhas floresceram no jardim da estalagem e Jo Marie Rose espera ansiosamente a chegada de hóspedes. Reencontraremos pessoas que já conhecemos no volume anterior, e conheceremos outras que ali vão em busca de calor humano e talvez de uma segunda oportunidade de serem felizes.
Este é o segundo volume da série iniciada pela autora com A Estalagem de Rose Habor.

Opinião:
   Quase um ano depois, eis que regresso ao acolhedor ambiente da Estalagem Rose Harbor, com as já familiares Jo Marie Rose, Mark, entre outras personagens que vamos conhecendo, para além de novos hospedes que povoam as páginas de suspense e novidade.
   No final do segundo volume, Macomber afirma a sua capacidade em manter esta trama com uma fórmula vencedora - a familiaridade das personagens angulares, e a novidade de curtas histórias que trazem consigo os hóspedes novos. Por um ou outro motivo, este livro torna-se quase um amigo que levamos connosco e com quem encetamos conversa para nos mantermos atualizados sobre as novidades naquela que já é quase nossa estalagem. Jo Marie Rose é uma de nós, com tanta força e tanto medo como qualquer mulher poderia ter, sortuda e azarada, como qualquer mulher pode ser. A identificação está garantida e, com ela, a vontade de saber mais sobre estes que são já parte de qualquer leitor que os tenha acompanhado ao longo de dois volumes.

   É com alguma pena que verifico que, após um ano da publicação deste volume, ainda não haja novo volume publicado. Quem por cá vai passando talvez já tenha percebido que são os autores que mais gosto aqueles que mais faço esperar na estante, com medo de terminar de ler o que eles têm para me dizer. Com "O Abrigo da Esperança" deixei de ter Macomber entre os que esperam, o que me deixa um pouco inquieta.

   Um livro tranquilo, escrito ao ritmo a que a vida flui, com bons e maus momentos. Um bom amigo para ter por perto nas tardes frias e chuvosas.

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sábado, 3 de janeiro de 2015

Resistir ao Amor

Título: Resistir ao Amor
Autora: Jill Mansell
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
A história de Romeu e Julieta recontada para os nossos dia.
Enquanto adolescente, Maddy Harvey era um patinho feio com óculos grandes, cabelo despenteado e dentes tortos. Felizmente cresceu e tornou-se num deslumbrante cisne. Quando numa noite de verão conhece o irresistível Kerr McKinnon, pensa que está no Céu. Mas uns dias depois, quando descobre a que família ele pertence, tem a certeza que está no Inferno. É que toda a gente em Ashcombe sabe o que aconteceu há onze anos, e a mãe de Maddy prefere destruir todos os McKinnon com as próprias mãos a permitir que a filha namore com um deles. Maddy sabe que deve resistir ao amor, mas que culpa tem ela que o seu príncipe encantado seja um fantasma do passado?A história de Romeu e Julieta renasce com o charme e o delicioso sentido de humor que só Jill Mansell possui. 
 
Opinião:
Se é escrito pela Jill Mansell, a gargalhada está assegurada. Revisitando o clássico dramático tantas vezes evocado de "Romeu e Julieta", Mansell traz-nos uma história atual e verdadeiramente divertida. À trama central que se adivinha, com uma amor impossível e deliciosamente verdadeiro, junta múltiplas histórias paralelas com que qualquer uma de nós se pode identificar. Rapidamente interiorizamos cada uma das  personagens como se fossem nossas conhecidas desde sempre, e lemos cada página a rezar por elas, chorar com elas, o a barafustar contra elas. Histórias como as que acontecem em nosso redor diariamente, trazidas até nós com todos os pequenos e hilariantes pormenores que as tornam inesquecíveis.

Um livro leve, bem-disposto e capaz de tornar mais leve qualquer coração.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Meu Nome É...

Título: O Meu Nome É...
Autor: Alastair Campbell
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Hannah tem 17 anos e bebe para se sentir melhor. Por um momento. Depois, a dor de alma regressa, mais intensa. Esta é a história da adição de Hannah. O desenrolar da história através dos relatos de cada uma das pessoas que rodeiam Hannah durante a sua espiral de autodestruição dá ao leitor uma panorâmica completa do que é a vida junto de um alcoólico vulnerável e em negação.

Opinião:
Alastair Campbell é o autor de "Está Tudo na Cabeça" que tanto me agradou. Nele, explora a luta interna que o Homem trava com a sua mente, e a temática deste novo livro não fica desenquadrada. A luta contra o alcoolismo é, acima de tudo, a luta contra si mesmo.
A história de Hannah é contada de uma forma original e muito adequada. Cada capítulo é contado na primeira pessoa, representando o relato de cada pessoa tocada pela vida de Hannah. Porque o alcoolismo é mesmo assim, um colete-bomba que quando explode atinge todos os que estão perto, com a sua onda de choque ou estilhaços de cada garrafa. Ficamos a conhecer Hannah desde a sua infância e tentamos compreender tudo o que correu mal no caminho e se não teria havido um percurso alternativo. Depois de lá chegar, de não conseguir passar um dia sem se embriagar, vem a fase de lhe dar a mão. Mas não é nada fácil ajudar quem morde a mão que a alimenta.
São vários relatos honestos, que entram bem fundo no problema e que nos fazem reflectir nas nossas próprias relações e na forma como a própria sociedade está orientada para a promoção da bebida. A explicação de teia de contactos de Hannah e a forma como se interligam e se fragmentam é primorosa, no entanto, e apesar de cada um dos relatos conter um pouco da visão pessoal de cada um dos vários narradores, gostaria de maior variabilidade de expressões e linguagem, de acordo com quem escreve. Percebo, contudo, que o objectivo do escritor era mais mostrar o sofrimento do que investir em caricaturas.

Mais um excelente romance de Alastair Campbell que coloca muito de si próprio em cada relato e que espero que continue a arranjar tempo da sua complicada agenda para a escrita.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Olimpo dos Desventurados

Título: O Olimpo dos Desventurados
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
O Olimpo dos Desventurados é um descampado entalado entre uma lixeira pública e o mar, onde se decompõem ao sol deuses caídos. Ach, o Zarolho, que sabe melhor do que ninguém enaltecer os mendigos; Júnior, o Pataroco; Mama, a Fantasmagórica; o Paxá e a sua corte de bebedolas, e muitas outras personagens, tão obscuras como sedutoras. É uma terra de miragens e de grande solidão em que se engolem todas as vergonhas e se calam os mais horríveis segredos.

Nesta viagem filosófica, Yasmina Khadra propõe-nos uma escala pelo universo dos miseráveis; um universo feito de ternura e de burlesco, de sonhos inverosímeis e de possessões abusivas onde surgem, por vezes, interrogações pungentes sobre a Mentira e a Culpabilidade.

Opinião:
Depois de ler "Os Anjos Morrem das Nossas Feridas" vasculhei as estantes em busca de mais algum livro de Khadra que tivesse ficado esquecido. Encontrei dois! E não pude esperar muito até começar "O Olimpo dos Desventurados".
A história deste livro passa-se numa lixeira, e descreve as interações entre uma comunidade de proscritos que, no entanto, se sentem livres da prisão da cidade e os plenos senhores das suas escolhas. Cada um tem a sua alcunha, cada um tem a sua função, mas a todos parece faltar um passado.
Júnior, salvo da cidade muito novo, não conhece outra realidade e idolatra cada um dos companheiros. Quando o passado surge para assombrar todos eles, a natureza humana solta o que tem de pior. 
Mais uma vez, a escrita de Khadra é sublime. Poética, fluida e, no final, profundamente escura. Parece que palavra a palavra, o escritor nos vai entrando na consciência.

Uma pequena obra-prima da escrita e um breve tratado de filosofia em que as emoções se demonstram na forma mais pura.