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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Que Esperam os Macacos

Título: Que Esperam os Macacos
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.
Que esperam os macacos é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

Opinião:
Este é o romance mais recente de Yasmina Khadra, escrito em 2014. Apesar de explorar alguns dos temas de livros anteriores, é um pouco diferente daquilo que eu conhecia do autor.
"Que Esperam os Macacos" é um policial com semelhanças com tantos outros, mas com o toque inconfundível de Yasmina. Decorre na Argel moderna e é um mergulho na decadente sociedade que assola a cidade. Sente-se o cheiro da corrupção, da ganância e os bons princípios parecem só trazer mais problemas.
Quando a investigação da morte da jovem estudante começa a incomodar os grandes poderes da cidade, é desesperante compreender que nem um brutal homicídio consegue derrubar os pesados pedestáis que sustentam figuras pesadas e bolorentas. A investigadora, Nora, tem que enfrentar o imortal preconceito contra mulheres no poder somado à incapacidade de usar a sua autoridade para chegar a alguns intocáveis, por muito culpados que sejam.
Aliada a esta brilhante exploração da sociedade contemporânea, temos ainda um interessante caso de homicídio e toda a investigação circundante a ajudar a compôr o retrato. Nora é inteligente, implacável e extremamente persistente. Como policial, não fica atrás dos melhores do género.
Outros livros do autor estavam mais focados no terrorismo, no choque entre culturas ou em estudar sociedades desajustadas. Este tem um curso de história mais linear, mais contemporâneo, mas mantém uma grande preocupação em explorar o bem e o mal que dominam o comportamento humano.

É sempre um prazer conhecer uma nova obra de Yasmina Khadra. Diria que este é um excelente livro para apresentar o autor a novos leitores. Mais fácil de acompanhar, mas igualmente fascinante.

sábado, 12 de setembro de 2015

A Opinião do Vencedor: "Que Esperam os Macacos"

Título: Que Esperam os Macacos
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.
Que esperam os macacos é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

Opinião do Vencedor:
Este foi o primeiro livro que li de Yasmina Khadra, as expectativas estavam muito elevadas, uma vez que as várias opiniões que li sobre o autor, na sua generalidade, são unânimes em referir a excelente literatura. Devo dizer que as minhas expectativas não saíram defraudadas, se é um facto que não consegui entrosar-me imediatamente com a história, o final apoteótico do livro fez-me aconselhar a sua leitura sem reservas. Uma história crua pelos meandros do bem e do mal, que nos deixa com uma nota de esperança. Mais uma vez muito obrigado pela oportunidade.

por Hermenegildo Guerreiro

sexta-feira, 10 de julho de 2015

As Sirenes de Bagdade

Título: As Sirenes de Bagdade
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Considerado pela revista Lire um dos melhores 20 romances de 2006, esta obra poderosamente escrita expõe as profundezas da alma humana e o intenso conflito de valores perante situações extremas.
Forçado a deixar a universidade quando os americanos invadem o Iraque, um jovem de uma aldeia remota regressa a casa e assiste a três acontecimentos que irão alterar a sua vida para sempre: o acarinhado tolo da aldeia é morto por soldados americanos; dias depois uma festa de casamento é alvo de um massacre do exército invasor, mais tarde, os exércitos à procura de terroristas invadem a sua casa e humilham o pai idoso perante toda a família. Consumido pelo desejo de vingar tal humilhação, parte para Bagdade onde integra um grupo de radicais dispostos a tudo pela causa iraquiana. Após participar em diversos ataques dirige-se a Beirute onde será treinado para a sua suprema missão cujo destino é Londres. No momento de embarcar para Inglaterra porém, a sua determinação vacila perante os seus princípios morais. Um olhar arrepiante e magistral sobre a violência e os seus efeitos nos cidadãos comuns As Sirenes de Bagdade abordam um tema que poucos ousam analisar.

Opinião:
Este é o terceiro livro de Yasmina Khadra que tive o prazer de ler e será, quase indubitavelmente, o melhor dos três (apesar de os outros dois serem excelentes).
O duplo sentido do texto perde-se na tradução para português. Sirène, em francês, pode significar sirene ou sereia, o que, no contexto, representa uma dicotomia interessante. O radicalismo e a mitologia, a miséria e os sonhos, os gritos e o canto.
A sinopse expõe de forma bem clara o enredo do livro, mas é difícil imaginar o quanto pode magoar acompanhar a história deste jovem iraquiano. Conhecendo o seu destino, o impulso inicial é a incompreensão. Que tipo de horrores teria alguém que enfrentar para tomar como objetivo da sua vida um ataque terrorista suicida?
Acompanhar o seu terrível caminho colocará ao leitor incontáveis dúvidas. De quem é a culpa? Quem começou primeiro? Será que alguém irá parar? Acho que Gandhi tinha a resposta: "An eye for an eye only ends up making the whole world blind".
Khadra é dotado de uma capacidade de escrita sublima e acrescenta-lhe a dureza dos factos. Neste livro, enfrentou talvez a pedra mais dura, mas esculpiu-a de forma exímia. Fica a ideia que o autor não quis dar respostas, não quis apontar o dedo. Tentou apenas oferecer-nos a visão do outro lado e deixar-nos chegar às conclusões por nós.

No fundo, deveria ser esta a função de qualquer escritor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Olimpo dos Desventurados

Título: O Olimpo dos Desventurados
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
O Olimpo dos Desventurados é um descampado entalado entre uma lixeira pública e o mar, onde se decompõem ao sol deuses caídos. Ach, o Zarolho, que sabe melhor do que ninguém enaltecer os mendigos; Júnior, o Pataroco; Mama, a Fantasmagórica; o Paxá e a sua corte de bebedolas, e muitas outras personagens, tão obscuras como sedutoras. É uma terra de miragens e de grande solidão em que se engolem todas as vergonhas e se calam os mais horríveis segredos.

Nesta viagem filosófica, Yasmina Khadra propõe-nos uma escala pelo universo dos miseráveis; um universo feito de ternura e de burlesco, de sonhos inverosímeis e de possessões abusivas onde surgem, por vezes, interrogações pungentes sobre a Mentira e a Culpabilidade.

Opinião:
Depois de ler "Os Anjos Morrem das Nossas Feridas" vasculhei as estantes em busca de mais algum livro de Khadra que tivesse ficado esquecido. Encontrei dois! E não pude esperar muito até começar "O Olimpo dos Desventurados".
A história deste livro passa-se numa lixeira, e descreve as interações entre uma comunidade de proscritos que, no entanto, se sentem livres da prisão da cidade e os plenos senhores das suas escolhas. Cada um tem a sua alcunha, cada um tem a sua função, mas a todos parece faltar um passado.
Júnior, salvo da cidade muito novo, não conhece outra realidade e idolatra cada um dos companheiros. Quando o passado surge para assombrar todos eles, a natureza humana solta o que tem de pior. 
Mais uma vez, a escrita de Khadra é sublime. Poética, fluida e, no final, profundamente escura. Parece que palavra a palavra, o escritor nos vai entrando na consciência.

Uma pequena obra-prima da escrita e um breve tratado de filosofia em que as emoções se demonstram na forma mais pura.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Os Anjos Morrem das Nossas Feridas

Título: Os Anjos Morrem das Nossas Feridas
Autor: Yasmina Khadra
Editora: Bizâncio

Sinopse:
Através de uma extraordinária evocação da Argélia de entre guerras, Yasmina Khadra apresenta, mais do que uma educação sentimental, o percurso obstinado de ascensão e queda de um jovem prodígio, adorado pelas multidões, fiel aos seus princípios, e que apenas queria ser senhor do seu destino.
Opinião:
Este livro chegou-me às mãos após contactarmos a Bizâncio no âmbito do nosso "Desafio de Verão". Pretendíamos um título de qualidade acima da média, mas que tivesse passado despercebido da maior parte dos leitores. Prontamente nos sugeriram qualquer título de Yasmina Khadra, pois já são vários editados pela Bizâncio. Em seguida vou tentar explicar-vos porquê.
Yasmina Khadra escreve como um Deus. Consegue penetrar no âmago da mais simples ou da mais intrincada alma humana e explaná-las em metáforas brilhantes que nos abrem as portas dos mais íntimos sentimentos. O livro começa com a caminhada do protagonista até à forca, só então, retrospectivamente, vamos percebendo o caminho que levou um jovem inocente a ser condenado pelo seu próprio estado. 
Apercebemo-nos que não são necessários grandes acontecimentos na vida de uma criança para que o seu percurso seja desviado em direções inesperadas. É em pequenos desentendimentos, pequenas batalhas travadas no choque entre humores, que uma criança se vê atirada para o mundo do pugilismo, da riqueza, até se aperceber que se trata apenas de um animal de estimação dos que o aplaudem ou apupam.
Para além de ser um mapa da mente humana, este livro tem uma vertente histórica bastante esclarecedora, relembrando-nos o racismo sufocante que sofriam os habitantes das antigas colónias. Se estão melhor agora, é outra discussão...

Um dos melhores livros que li nos últimos anos, sem a menor dúvida. Fez-me correr as estantes em busca de outros títulos do autor e só pararei após ter lido a obra completa, assim o tempo me permita...