Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Rio das Flores

Título: Rio das Flores
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editora: Oficina do Livro

Sinopse:
Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade.
Rio das Flores resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas.
Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final, sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho.

Opinião:
Mais um grande livro (em vários sentidos) de Miguel Sousa Tavares. Este género tem mostrado que a literatura portuguesa consegue vender tão bem ou melhor do que qualquer best-seller estrangeiro, o que é extremamente positivo.
Rio das Flores, como os romances precedentes do autor, preza pelo excelente trabalho de investigação e pelas lições de História. A época descrita é rica o suficiente para ser explorada numa grande extensão geográfica com os acontecimentos a imiscuírem-se nas vivências dos protagonistas.
O romance e suas bifurcações são uma constante, havendo algumas surpresas no desenrolar da narrativa.
A leitura, apesar de exigir dedicação durante algum tempo, não é difícil, e os períodos de leitura prolongam-se à medida que avançamos nas páginas.

Bom para quem gosta de aprender algo mais no processo de leitura e para quem quer um livro que lhe faça companhia durante algum tempo!

Expiação

Título: Expiação
Autor: Ian McEwan
Editora: Gradiva
 

Sinopse:
No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, de 13 anos, vê a irmã Cecilia despir-se e mergulhar na fonte que existe no jardim da sua casa.
É também observada por Robbie Turner, um amigo de infância que, à semelhança de Cecilia, voltou há pouco tempo de Cambridge. Depois desse dia, a vida das três personagens terá mudado para sempre. Robbie e Cecilia terão ultrapassado uma fronteira que, à partida, nem sequer imaginavam e tornar-se-ão vítimas da imaginação da irmã mais nova. Briony terá presenciado mistérios e cometido um crime que procurará expiar ao longo de toda a sua vida.

Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante e cativante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a situação de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda – e muito comovente – da vergonha, do perdão, da expiação e da dificuldade da absolvição.

Prémio para o Melhor Livro de Ficção de 2002 atribuído pelo The National Book Critics Circle, a associação americana de críticos literários. Nomeado para o Booker Prize e para o Whitbread Award 2001.

Opinião:
Não conhecia Ian McEwan antes de ver esta obra adaptada ao cinema. Pela qualidade do filme e, principalmente, pela qualidade da obra decidi ler o respectivo livro.

Iniciar a leitura não foi fácil. Ian tem uma escrita muito própria, bastante diferente daquela a que estava habituada. No entanto, e como tinha noção da qualidade da história, insisti e não desisti aos primeiros capítulos - e foi uma aposta ganha! Não tardou a que a escrita de Ian fizesse parte da forma como pensava e via a história. E que história...! Um drama sem futilidades sentimentalistas mas cheio, cheio de humanidade - defeitos, falhas, erros e a convivência com as consequências de tudo o que de errado há em nós, são retratados com precisão e sem floreados deixando-os a descoberto perante o leitor.

Recomendo. Independentemente de terem visto ou não o filme, leiam o livro. Perfeito para leitores persistentes, menos ideal para os que preferem uma leitura mais flúida mas, com certeza, recompensador para todos aqueles que viverem esta experiência!

Domingo, 30 de Agosto de 2009

O Ano da Morte de Ricardo Reis

Título: O Ano da Morte de Ricardo Reis
Autor: José Saramago
Editora: Caminho

Sinopse:
«Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: "Aqui onde o mar se acaba e a terra principia"; o virar ao contrário o verso de Camões: "Onde a terra acaba e o mar começa". Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)


Opinião:
Começo por dizer que sou um grande apreciador da escrita de Saramago! Temo ser demasiado parcial no que vou escrever, mas as opiniões são, por definição, parciais...
Apaixonei-me pelos livros do nosso Nobel com o Memorial do Convento, lido já bem fora do Secundário. Desde então tenho tentado adquirir aos poucos a obra completa.
A habituação ao estilo pode ser morosa e difícil, mas em pouco tempo o narrador passa a acompanhar o nosso pensamento e as palavras formam imagens, ideias, opiniões sem qualquer esforço da nossa parte. Aconselho a quem nunca leu, ou a quem começou mas achou que a ausência de pontuação é insuportável, a tentar ler o "Evangelho" ou o "Ensaio sobre a Cegueira". Não prometo que fiquem a gostar, mas prometo que se gostarem têm muito a lucrar!

Agora ao livro em questão!
O Ano da Morte de Ricardo Reis foi a obra de Saramago que mais tempo me levou a ler, até agora, principalmente por circunstâncias externas. Não deixou de ser uma experiência enriquecedora: uma ideia de base genial, numa história cheia de Portugal! Passada numa época determinante na nossa História, com um dos nossos maiores poetas, sendo o protagonista alguém que apenas viveu na poesia de Pessoa.
O livro conta com descrições de Lisboa que não se ficam pelos pormenores físicos; todo o ambiente, ideiais e contexto são descritos pela voz omnipresente e sempre incisiva do narrador (não faltam os dois velhos que lêem todos os dias o jornal do dia anterior). Quanto a Ricardo Reis, se a sua existência foi mais do que a obra poética, poderia certamente corresponder ao protagonista da obra, com as mesmas desventuras amorosas.

Apesar de não ser o meu primeiro conselho para quem quer conhecer Saramago, esta será, provavelmente, a sua prosa mais poética! E, como todos os outros livros, é recheado de frases que valem, sozinhas, o tempo e dinheiro dispendidos.

Sábado, 29 de Agosto de 2009

O Rapaz do Pijama às Riscas

Título: O Rapaz do Pijama às Riscas
Autor: John Boyne
Editora: Edições ASA

Sinopse:
Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas.
Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

Opinião:
Já muito foi escrito e realizado sobre a Segunda Guerra Mundial, mas, provavelmente, nada tão ternurento como a aventura de Bruno. Este é mesmo um daqueles livros para leitores dos 8 aos 80!
Numa linguagem simples e clara, é um livro que se lê num par de horas, mas que deixa marcas por muitos dias. As mensagens, profundas e escondidas por entre os pensamentos do protagonista, são quase dolorosas...
Sem descrever directamente os horrores que conhecemos consegue criar momentos de suspense e de nervosismo, intercalados por situações que despertam sorrisos instantaneamente!
Vi o filme depois de ler o livro e não fiquei desiludido! A história não é contada exclusivamente pelos olhos e pensamentos de Bruno, perdendo alguns bons momentos.

Mesmo assim, recomendo ambos vivamente, para qualquer altura, para qualquer pessoa!

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

O Rastro do Jaguar

Título: O Rastro do Jaguar
Autor: Murilo Carvalho
Editora: LeYa

Sinopse:
Estamos no virar do século XIX em Congonhas do Campo. Pereira, um antigo jornalista de origem portuguesa, revisita as suas memórias, que percorrem todo o conturbado período da segunda metade do século. Através do relato da sua viagem, Pereira, que deixara Paris com o seu grande amigo e companheiro Pierre, leva-nos a conhecer o Brasil em guerra com o vizinho Paraguai, no período mais decisivo da sua história. Uma guerra sangrenta que o Brasil trava ao lado da Argentina e do Uruguai e que, para Pereira e Pierre, será o momento decisivo das suas vidas. É também a guerra pelo espaço vital das populações índias que, humilhadas pela acomodação forçada às regras e vivências dos colonos, tentam recuperar a sua Terra Mítica onde o Mal não existe. É ainda a guerra travada por Pierre para se definir a si mesmo: índio, como o seu povo, ou europeu, tal como foi criado? Levado em criança por Auguste de Saint’ Hillaire do Brasil para França, descobre, já adulto, nas feições de dois índios presos, a chave para as suas raízes nunca explicadas. Raízes que vai encontrar nesse cruzamento do Rio da Prata onde brasileiros e paraguaios morrem aos milhares e os índios guarani lutam por uma terra onde possam de novo viver livres e em paz. Da França à Argentina, do Brasil ao Paraguai, do sertão nordestino aos planaltos do Sul do Brasil, Pereira relata-nos de uma forma empolgante e quase cinematográfica as grandes transformações que definiram a América do Sul. Pelo caminho, encontra o amor perfeito e Pierre a pátria a que, junto dos seus, pode chamar sua.

Baseado em factos verídicos e personagens reais, O Rastro do Jaguar é um fresco dos intensos choques culturais e sociais que marcaram o século XIX e a relação dos europeus com as suas antigas colónias agora independentes.

Opinião:
Prémio LeYa, capa atractiva, nos tops de todas as livrarias, uma escolha fácil para quem vai comprar um livro sem ter nenhum em mente.
O Rastro do Jaguar é um livro extenso, mas nada pesado. Pode, à partida, parecer estranho ler em "brasileiro", mas habituei-me às pequenas diferenças em poucas páginas.
A parte histórica é interessantíssima! Especialmente por me ser completamente desconhecida, por mostrar o Brasil de um ângulo inédito e pela violência, não explícita mas bem implícita em todo o relato. A parte mais romanceada é deixada um pouco de parte (o que, pessoalmente, me agrada), e vive de intenções futuras ou lembranças passadas.
Houve o cuidado, por parte do autor, em inserir um pequeno mapa e resumo histórico para melhor nos situarmos no local e contexto.
A estrutura é bastante dinâmica, com grandes saltos temporais, numa escrita fluída que torna difícil largar o livro quando se engrena na leitura.

Em resumo, não será a primeira escolha para uma leitura light mas é o livro ideal para quem gosta de romances históricos!

Uma Chuva de Diamantes

Título: Uma Chuva de Diamantes
Autor: Sveva Casati Modignani
Editora: Edições ASA

Sinopse:
Um grande editor morre deixando aos filhos e netos um enorme património e um mistério inquietante: uma parte significativa da herança está pura e simplesmente desaparecida. Entre rancores e ciúmes, a leitura do testamento desencadeia uma desenfreada caça ao tesouro. A dominar a situação está Sónia, a nora do magnata - uma mulher generosa, bonita e voluntariosa. Face à crescente tensão na família, será apenas ela a encontrar forças para recomeçar uma nova vida…

Opinião:
Conheci Sveva Casati Modignani com o irrepreensível 'Baunilha e Chocolate' já há alguns anos. Desde então tenho mantido contacto com a autora através de leituras esporádicas das diferentes obras que escreveu e que vou tendo à disposição. Esta foi a mais recente.

Não é, de todo, das suas melhores obras. Sveva mantém o seu registo habitual: a leitura é fácil, simples e a escrita é adequada ao tipo de história que está a ser contada, mas falta-lhe qualquer coisa... Depois de terminar o livro, fico com a impressão de que a autora pretende contar uma história da qual desiste, pegando numa personagem secundária dessa história inicial e escrevendo sobre ela o resto do livro. Para além do fio condutor sofrer esta quebra, noto uma certa falta de atenção aos pormenores e, a determinada altura, a narrativa parece ser apressada em direcção ao final.
Não é das minhas autoras favoritas, e algumas 'falhas' que aponto podem dever-se ao facto de já não ler nada desta há algum tempo. No entanto, aqui fica a opinião.

Apesar de tudo, não deixa de ser uma história interessante, com personagens falíveis e vidas imperfeitas, muito ao estilo pessoal da autora. Um bom livro para completar a colecção.

Para Sempre, Talvez...

Título: Para Sempre, Talvez...
Autor: Cecelia Ahern
Editora: Editorial Presença

Sinopse:
Cecelia Ahern conta-nos a história envolvente de um amor contrariado por um destino que teima em brincar com os seus dois protagonistas. Alex e Rosie atravessaram a infância e a adolescência juntos, sempre presentes na vida um do outro como melhores amigos. No entanto, quando chega o momento de começarem a descobrir as alegrias das noites na cidade e das primeiras aventuras amorosas, o destino resolve pregar-lhes uma partida ao colocar entre os dois a vastidão do oceano Atlântico. Mas poderão o tempo, a distância e o próprio destino ser mais fortes que um grande amor?

Opinião:
Depois de ler 'P.S. - Eu Amo-te', não hesitei em voltar a apostar na obra da autora (principalmente porque na altura se tratava de uma pechincha!). Já o li há uns 2 anos (como podem perceber pela capa, que não corresponde à mais recentemente editada), mas é um livro impossível de esquecer. E é impossível de esquecer por uma série de razões! Para começar, a autora escreve a história apenas e só com bilhetes/sms's/conversas de chat/cartas que os personagens vão trocando entre si! Isto resulta na forma mais invulgar de contar uma história que já vi publicada. Apesar de parecer difícil manter um fio condutor apenas com estes elementos, o facto é que a autora o conseguiu fazer de forma genial. Outro ponto forte do livro é a história... Uma história de um amor que teima em não dar certo, de tal forma que é impossível largar o livro enquanto não o terminamos - juro que fiquei de tal maneira 'agarrada' à história que já me apetecia pregar um par de estalos aos protagonistas a ver se se entendiam! Brilhante!

Recomendo vivamente. É uma experiência diferente em leitura, do mais diferente que tive até agora. Se apreciar história de amor e humor, então este é o livro perfeito!

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

The Buenos Aires Broken Hearts Club

Título: The Buenos Aires Broken Hearts Club
Autor: Jessica Morrison
Editora: 5 Spot

Sinopse:
Cassie Moore had good reason to believe in The Plan. It got her the perfect job (assistant producer at a top Seattle Internet company: check), and the perfect engagement (2-carat ring: check). But what’s a girl to do when everything in The Plan fails her in one afternoon? Get drunk, hock the ring, and hop the next flight to Buenos Aires, of course. Venturing into a city she’s more than a little afraid of, Cassie seeks comfort in other lovelorn travelers, including perfect-on-paper Dan, who approaches life as cautiously as she does. But in wild, wonderful Buenos Aires, Cassie can’t control everything – especially not the mixed signals coming from her brooding but sexy new handyman, Mateo. Suddenly falling in love with South America may be the best plan Cassie never had.

Opinião:
Não costumo ler em inglês. Aliás, acho que este foi o meu primeiro verdadeiro livro numa língua que não o Português. Comecei devagar, tentando entrar tanto na língua quanto na linguagem, mas a tarefa mostrou-se bastante fácil!
De qualquer forma, o chamado 'chick lit' não é dos meus géneros favoritos, mas deste livro em particular gostei bastante. A personagem principal é um bocadinho louca, muito ao estilo das comédias românticas cinematográficas americanas, mas lá encontra o seu caminho - numa terra distante e exótica, que fiquei cheia de vontade de conhecer, e com um belíssimo macho latino principesco pelo caminho... Enfim :) não calha a todas.

É um livro muito divertido e leve. Ideal para levar de férias ou para alijeirar os dias mais pesados.

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

O Leitor

Título: O Leitor
Autor: Bernard Schlink
Editora: Edições ASA

Sinopse:
Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael.
Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.

Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor, é desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Já traduzido em 39 línguas, a obra foi já adaptada ao cinema. Para além disso, este romance foi galardoado em 1997 com os prémios Grinzane Cavour, Hans Fallada e Laure Bataillon. Em 1999 venceu o Prémio de Literatura do Die Welt.

Opinião:
Vi o filme. Emocionei-me e espantei-me com a qualidade da história e com a forma como é contada. Por tanto ter gostado, ofereceram-me o livro. Decidi lê-lo logo, tamanho encanto a história tinha lançado sobre mim. Pouco depois de ter começado a leitura, temi ver desvanecer esse encanto - como acontece quando vemos no cinema adaptações de livros que amamos, e que não nos satisfazem - mas tal não aconteceu. Schlink tem uma forma de escrever peculiar, mas depois das 2 primeiras páginas já pertencemos ao seu mundo e é fácil deixarmos que a história escorra, linha após linha, à nossa volta, até nos envolver completamente. O livro não deixa nada a desejar face ao filme. Atrevo-me a dizer que o filme (não descurando as brilhantes interpretações que o compõem) só consegue o brilhantismo que tem pela qualidade do texto que lhe deu origem.

Recomendo vivamente. Pela história que agradará, certamente, a sonhadores e cépticos, mas também pelo texto em si.


P.S. - Eu Amo-te

Título: P.S. - Eu Amo-te
Autor: Cecelia Ahern
Editora: Editorial Presença

Sinopse: 

Quase todas as noites Holly e Gerry tinham a mesma discussão - qual dos dois se ia levantar da cama e voltar tacteando pateticamente o caminho de regresso ao apetecível leito? Comprar um candeeiro de mesa-de-cabeceira parecia não fazer parte dos planos, e assim o episódio da luz repetia-se a cada noite, num ritual conjugal de pendor cómico a que nenhum desejava por termo. Agora, ao recordar esses momentos de pura felicidade, Holly sentia-se perdida sem Gerry. Simplesmente não sabia viver sem ele. Mas ele sabia-o, conhecia-a demasiado bem para a deixar no mundo sozinha e sem rumo. Por isso, imaginou uma forma de perpetuar ainda por algum tempo a sua presença junto da mulher, incentivando-a a viver de novo.

Opinião:
Li este livro há algum tempo, mas não há como me esquecer. Conta a história de um casal que o destino quis separar da forma mais irreversível possível - com a morte. Conta a forma como Holly teve que aprender a viver sem aquele que tinha escolhido como companheiro de toda a vida, e como ele a ajudou a passar por isso mesmo sem cá estar. É uma história delicada contada de forma dedicada, uma história de amor com um príncipe encantado e um final feliz que pela morte foi ultrapassado...

Chorei baba e ranho enquanto o lia (acho que só "As Palavras Que Nunca te Direi" me fizeram chorar mais que ele). É um bom livro para quem precisa acreditar que é possível continuar a andar, e para quem não se importa de chorar :).

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Silver Bay - A Baía do Desejo

Título: Silver Bay - A Baía do Desejo
Autor: Jojo Moyes
Editora: Porto Editora

Sinopse:
Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes.
Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.

Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.

Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?

Opinião:
Pensei que este fosse só mais um romance. Aliás, arranquei-o da estante porque me apetecia ler um romance, uma história simples, daquelas em que tudo está bem quando acaba bem. Ora, este livro, não deixando de corresponder às expectativas, foi um pouco mais além. Jojo consegue levar o leitor até ao cenário que descreve, de tal forma que em alguns trechos quase sentimos o cheiro a maresia... E é inevitável sentir simpatia pela causa que a autora defende através das suas personagens.

É um livro bem escrito, com uma boa história, num cenário diferente do 'habitual' e com personagens diferentes do 'habitual'. Sem deixar de ser um romance em que tudo acaba bem, conseguiu surpreender e deixar ainda alguns ensinamentos.


Um bom livro para oferecer à amiga sonhadora defensora dos animais, ou para alguém que quer viajar um pouco, sem sair do sofá.

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

O Codex Maia

Título: O Codex Maia
Autor: Douglas Preston
Editora: Saída de Emergência

Sinopse:
"Saudações do mundo dos mortos", declara Maxwell Broadbent na cassete de vídeo que deixou para trás depois do seu misterioso desaparecimento. Notório caçador de tesouros e ladrão de túmulos, Broadbent acumulou muitos milhões de dólares em arte, jóias e artefactos antes de desaparecer (juntamente com toda a sua colecção) da sua imensa mansão. No início, suspeitou-se de assalto, mas a verdade provou ser bastante mais estranha: como desafio final para os seus três filhos, Broadbent enterrou-se a si e ao seu tesouro algures no mundo, escondido como um faraó egípcio da Antiguidade. Se os filhos quiserem reivindicar a sua fabulosa herança, terão de encontrar o túmulo cuidadosamente ocultado pelo pai.

Os dados estão lançados, mas os três irmãos não são os únicos a competir pelo tesouro. Com tantos milhões de dólares em jogo, bem como um antigo codex maia que pode conter a cura para o cancro, em breve outras pessoas se juntam à caçada... e nada fará parar algumas delas para conseguirem o que está na sepultura.

Opinião:
Apaixonei-me por Douglas Peston quando li o primeiro livro de uma deliciosa trilogia que este escreveu com Lincoln Child - Enxofre. Este foi um dos policiais mais inesperados e refrescantes que li ultimamente, de tal forma que empreendi numa busca por mais livros pelos mesmos autores. Assim cheguei até ao "O Codex Maia".

Como se percebe pela sinopse, a história de fundo é tudo menos usual. Um homem rico que se enterra com o seu tesouro, ainda vivo. Isto deixa os seus filhos desesperados, uns mais do que outros, mas todos acabam por perseguir esse tesouro. É uma história de aventura, muito ao estilo 'Indiana Jones', mas pelo meio há muito que não esperava... Desde o romance (que o autor consegue equilibrar razoavelmente bem, num cenário não muito propício), passando pela reflexão até a cinética familiar, o livro torna-se muito mais abrangente do que inicialmente poderia pensar. Embora, inicialmente, me tenha sentido um pouco desapontada com isso, não tardou a que essa sensação se evaporasse com o desenrolar da história. Inevitavelmente, fiquei 'agarrada' a ele até desvendar o final!

É um bom livro para quem gosta de acção, mas não desdenha o sentimento. Se não for esse o caso, talvez não seja o livro mais adequado.